18 nov 2015

Comendador Ordinário.

Os valverdeiros e as valverdeiras hemos oiviu falar que os moços que trabalhavam na finca da Granja, se livravam de cumplir a mili porque o Estau, ao sei proprietário le havia otorgau certos privilégios por haver reconvertiu terrenos incultos em produtivos.

Assina o sabemos por boca dos seis descendentes, como Inmaculada Frade, quem me facilita  cópia do nombramento que o Rei dom Alfonso XII fai a favor da pessoa de D. Ambrosio Frade Suazo, no ano 1883.

No título reza o que segue:

DON ALFONSO XII REY CONSTITUCIONAL DE ESPAÑA.


Título de Comendador Ordinário em favor
de D. Ambrosio Frade Suazo.
Por cuanto queriendo dar una prueba de Mi Real aprecio á vos Don Ambrosio Frade Suazo; hé tenido á bien nombraros por Mi Decreto de veintitrés de Enero último, Comendador Ordinario de la Real Orden de Isabel la Católica, libre de gastos con arreglo á la ley de presupuestos de mil ochocientos cincuenta y nueve.

Por tanto os concedo los honores distinciones y uso de las insignias que os corresponden al tenor de los Estatutos confiando por las cualidades que os distinguen en que os esmerais en contribuir al mayor lustre de la Orden. Y de este título refrendado por el Secretario de la Orden y firmado por el Gran Canciller se tomará nota en la Contaduría de la misma.
Dado en Palacio á diez de Mayo de mil ochocientos ochenta y tres.


Yo el Rey

Yo, Don Mariano del Prado, Marqués de Acapulco Ministro Secretario de esta Real Orden, lo hice escribir por su Mandado

Baixo as firmas termina o documento como segue:

Título de Comendador Ordinario de la Orden Española de Isabel la Católica á favor de Don Ambrosio Frade Suazo.

Citando o livro de D. Domingo Domené HISTORIA DE SIERRA DE GATA (Cáceres), editau no ano 2008; na folha 210 fala de Una granja modelo dizendo que mutas das propiedais que foram desamortizás queiram nas mãs de especuladores ou de absentitas, provocando o abandono dos terrenos que foram mal explotaus, mas nõ todos os novos proprietários foram iguais. Alguns, certamente exemplares como o vizinho de Sã Martim de Trebelho, D. Ambrosio Frade Suazo, com certos terrenos procedentes da Ordem de Alcántara e outras que comprou a particulares se propõ crear ũa explotaciõ modelo.

Segando na Granja. Retrato facilitau por Miguel López Prieto.
Continua dizendo que no sitio da Granja, no término de Valverde, num terreno inculto fizo grandes
plantaciõs de vides e de oliveiras, levando a cabo igualmente a regeneraciõ dos pastizais.

Em reconhecimento do seu labor, o governo le concedeu privilegios pouco usuais naquela época:

- Eximir do serviço militar aos filhos do senhor Frade e aos filhos dos colonos nascius na explotaciõ.

- Eximir do pago da contribuciõ durante vinte anos.

- A concessiõ do título.

Ao mei parecer, o título de Comendador Ordinario de la Orden de Isabel la Católica, foi proposto por o Ministro de Fomento ao Consejo de Ministros, onde se aceitaria a proposta, sendo referendada por o Rei dom Alfonso XII mediante Real Decreto de 23 de jeneiro de 1883, publicau na Gaceta de Madrid desse mesmo dia.

Foi o Rei dom Fernando VII, mediante Real Decreto de 24 de março de 1815, quem creou a Real y Americana Orden de Isabel la Católica, para premiar la lealtad acrisolada y los méritos contraídos en favor de la prosperidad de aquellos territorios.

A 26 de maio de 1816 o Papa Pío VII promulgava a bula Viros magnos in regno com a qual aprovava e confirmava esta nova Ordem, concedendo aos seis Cavaleiros e Ministros as mesmas indulgências e gracias espirituais que aos da Ordem de Carlos III.

Em 1847 se reformam as Órdens Reais, perdendo esta o nome de Americana. Posteriormente, no ano 1851, mediante Real Decreto, se determinam de forma definitiva o sistema de concesiõ e os graus. No ano 1873 foi suprimida por Decreto do Governo Republicano, e dois anos depois volveu a ser instaurada com a subida ao trono do Rei Alfonso XII.

Insígnia de Encomenda com a Cruz da Ordem
By Heralder [CC BY-SA 3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0) or GFDL (http://www.gnu.org/copyleft/fdl.html)], via Wikimedia Commons
A Ordem por aqueles tempos contava com trés classes de membros: Grandes Cruzes, Comendadores e Cavaleiros. Tos elis tinham que portar a Cruz da Ordem. Cada classe as portava de maneira diferente. A Cruz levava inerente a nobleza pessoal em favor de quem a gozar.

Na actualidai a Ordem se rege por o regulamento aprobau mediante Real Decreto 2395/1998, de 6 de novembre.


20 oct 2015

A conta da recém editá novela de Javier Quiñones "El hijo del guarda."

O próximo sábado, dia 24 de outubre, na Área Cultural "Val verde", sita na avenida doctor don Casto Prieto Carrasco 12, de Valverde do Fresno, a isso da media para as oito da tarde, se presenta o livro de Javier Quiñones El hijo del guarda. 

Promove o acto Muñoz Moya Editores em colaboraciõ com o Excmo. Ajuntamento de Valverde do Fresno.

Presidirá a mesa a Sra. Alcaldesa do Ajuntamento de Valverde, Dª. Cristina Carrasco Obregón; na que participarã don Juan Ignacio Jiménez Velasco de Muñoz Moya Editores, don Fernando Ayala Vicente, escritor, Doctor en Filosofía y Letras e diputau na Asamblea de Extremadura por o grupo parlamentario PSOE-SIEX; o investigador local D. Antonio Manuel Corredera Plaza e o propio autor da obra D. Javier Quiñones.

Javier Quiñones, naceu em Burgos em 1954, agora reside em Barcelona onde desarrolha a sua lavor de professor de secundária.

Se deu a conhocel no mundo das letras com a sua obra De libertad tendidas mis banderas, editá em 1993, com a que ganhou o Premio Internacional de Contos Max Aub. No ano 1997 le concederam o Premio Ciudai de Barbastro por a sua novela Años triunfales. Prisión y muerte de Julián Besteiro. Da que di Camilo José Cela no prólogo da ediciõ que "deja un regusto amargo de una época sombría de nuestra historia más violenta, pero su autor contribuye a la paz de los espíritus con el equilibrado manejo de la verdad."

Poderia seguil relacionando títulos da sua prolífica e bem acolhia obra, pero prefiro que seais vós os que vos tomeis o vosso tempo para que descubrais a sua fina sensibilidai e vos convido a que  empeceis por o final, visitando as entrás do sei blog literario "De ahora en adelante. Páginas de literatura y vida."

E agora vos vou a contal algo da gestaciõ do livro El hijo del guarda.

Javier Quiñones. Autorretrato.
Javier é neto dum guarda forestal que no primeiro quarto da centúria passá vinho de Gata a trabalhal a Valverde, onde se ganhou o carinho de muta gente. Tinha várias filhas e dois filhos. O maior  era o padre do nosso amigo Javier Quiñones, autor do livro.

A Javier le mortificava o pouco que sabia do passau de sei padre, por o que com o fim de sel da Cárcel Real de Cória quando tinha 17 anos; inicia um trabalho de investigaciõ que culmina com a ediciõ desta obra, publicá por Muñoz Moya Editores.
angústia que le causava tanta oscuridai; na mais morrel este e partindo das parcas palavras que haviam seido da sua boca, nas que dizia que havia siu encarcelau na

Nos inícios das primeiras indagaciõs perguntando as suas tias, se vai dando conta de que desconhoce casi ao completo o passau de sei padre, comandante do ejercito do Aire. O mesmo que com 17 anos havia colaborau a favor do Frente Popular nas elecciõs de fevereiro de 1936 e que de seguiu fundaria a Juventud Socialista en Valverde.

Que alegria senti quando revisando as cópias digitais que guardo na minha casa, dos documentos consultaus, apareceu ante os meis olhos, no monitor da minha computadora, a carta que o aguelo de Javier escrivia com membrete da guarderia do Distrito Forestal de Cáceres ao senhor D. Francisco Largo Caballero desde Valverde, o dia 20 de fevereiro de 1936, que encetava como ¡Honorable camarada! Escrita com elegante caligrafia; ou aquela outra de dois meses mais tarde na que denunciava o atentau contra a vida do sei filho que nõ chegó a término, como di na carta: "...gracias al arrojo y serenidad del chico..."

O envio destes primeiros documentos, com independência do peso que puderam dal ao curso da investigaciõ e à culminaciõ final da obra que vos recomendo ler, sirviram para inicial esta amistai que agora gozamos.

Finalmente, como o dia da presentaciõ do livro haverá na mesa pessoas com julgamentos de valor e melhor preparaciõ que este que vos fala em calidai de amigo do autor; vos emprazo primeiro a que nos acompanheis esse dia e, em segundo lugar, vos recomendo que vos faias com um exemplar porque Javier trata com tal delicadeza e bõ gusto os feitos que narra na sua elegia, que penso que será da satisfaciõ de quantos a leiais à vez que vos iluminará sobre certos acontecimentos que se deram no nosso lugar durante a Guerra Civil.

Recordei o que escriviu Camilo José Cela no prólogo da obra de Javier Quiñones Años triunfales. Prisión y muerte de Julián Besteiro: "...su autor contribuye a la paz de los espíritus con el equilibrado manejo de la verdad." Na minha opiniõ esse pensamento vale igual para El hijo del guarda.

Vos esperamos.

4 ago 2015

Exposiciõ de iconos ortodoxos, retábulo e capelas.


Frol sexpétala no pavimento da ermita do Santo Cristo.
No interiol da antiga ermita do Cristo del Humilladero, hoje conhocia como ermita do Santo Cristo; no causo de visitá-la entre os dias 6 ao 12 deste mes de agosto que acabamos de encetal, poderemos disfrutal, ademais da preciosa abóbada granítica de arcos cruzaus, sem decoraciõ, com nove claves; do retablo barroco de madeira dorá, do século XVIII; da imaginária entre a que destaca o Cristo crucificau, soberbia talha de escultol desconhociu do século XVI e o pavimento feito por pequenas pedras de cantos rodaus, formando encatadoras figuras; tamém poderemos contemplal, aos auspicios da Cofradía de la Vera Cruz da nossa localidai, ũa interessante a par que atrativa exposiciõ de iconos ortodoxos do Taller de Iconos ortodoxos de la ciudad de Coria e as pequenas capelas e retábulo com as suas propias talhas, do nosso paisano Valentín Sánchez Pereira.

Entrevistamos em primel lugal a José Berrío Carrasco, maiordomo da Cofradía de la Vera Cruz, de Valverde do Fresno, quem nos diz que a cofradia pretende, com a realizaciõ deste evento, dal a conhocel de cerca a labol que desarrolham estes talheres, como o de Coria, em pro da cultura e sacal a luz por primeira vez os trabalhos da autoria do ebanista jubilau Valentín Sánchez Pereira.

Aprovita igualmente a oportunidai que le brinda a ocasiõ para resaltal os fins da cofradia, que em resumen son: O fomento do culto público e atrael aos fieis à oraciõ, a cujo efeto abrem a ermita do Santo Cristo tos os xoves do ano. A prática da caridai para com os nossos vizinhos mais necessitaus, assina como a colaboraciõ com a paróquia e o cuidau e conservaciõ dos ornamentos e imaginária da propia ermita.

Iconos ortodoxos do talhel de iconos da ciudai de Coria.
Seguidamente, conversamos com Carmen Serrano, professora de plástica do Instituto de Educaciõ Secundaria Alagón de Coria que nos faló no nome do Taller de Iconos ortodoxos de la ciudad de Coria, que depende da paróquia de Sã Ignacio. Nos comenta que este talhel encetó a sua andadura em fevereiro do ano 2008, com o assessoramento do talhel de iconos de Cáçeres e do Centro de Espiritualidai de Valhadolid. Comenzaram a trabalhal os iconos na propia paróquia, pero o local se quedó pequeno, circunstância que prejudicava a conservaciõ dos iconos por o que com a posta em funcionamento da Casa da Igrexa de Coria se trasladaram a esta nova ubicaciõ, na que se encontram a disposiciõ de quem queira dil a visitá-los tos os mércores, de cinco a sete da tarde, nõ sendo período de vacaciõs. Mas como é agora o causo da exposiciõ em Valverde, fazem exposiciõs itinerantes; a primeira no colegio das monjas de clausura de la Madre de Dios, em Coria; depois outra com motivo da chegá da Cruz a aquela ciudai o quando se realizou na mesma o congresso de iconos; por outro lau, estuveram fai poico em Calzadilha e em Vegaviana, pero tamém cedem temporalmente iconos para eventos, quando se les solicite.

Referente a exposiciõ que podemos disfrutal durante os dias 6 ao 12 de agosto na ermita do Santo Cristo; nos comenta que os iconos representam trés temas fundamentais que sõ: a vida de Cristo, a vida da Virgem e a vida dos Santos. Se chamam iconos ortodoxos porque desde a edai media aos nossos dias nõ evolucionou a iconografia e como apreciamos nas pranchas toas as representaciõs sõ frontais, de tal maneira que desde qualquer parte que nós situemos para vel um icono, a imagem que representa sempres nos estará mirando. Os iconos principais representam a figura de Cristo (pantocrátor), pero para compreendel bem o que temos dientre, temos que sabel que os iconos nõ som pinturas como tal, mas por contra sõ escrituras que nos falam atraves do colol, dos olhos, das vestimentas, das mãs; por isso o talhel coloca folhetos explicativos entre os iconos, para a milhol comprensiõ dos temas que representam.
Retábulo com talhas de Valentín Sánchez.

Carmen nos informa igualmente que as pessoas que componem o talhel nõ pintam, o que fazem é tratal láminas, lixando a madeira, depois a envelhecem e pegam a lámina, a prensam e finalmente a tratam com latex para plastificá-la ou volvem a envelhecé-la, le aplicam pã de oiro, o estanho. Desde fai poico comenzaram tamém a pintal, pero neste causo se trata de iconos coptos. Coptos sõ os egipcios que profesam a fé cristiana. Os seis iconos se diferenciam em que sõ mais primitivos e utilizam tablas e pigmentos à água, mentras que os ortodoxos usam pigmentos a base de cola de água e pigmentos naturais. Nesta exposiciõ nõ trairam iconos coptos.

Pequena capela de Valentín Sánchez.
Finalmente, a representante do talhel de iconos de Coria manifestou que desde fai dois anos em que a diocese de Coria-Cáceres promoveu a realizaciõ urgente de obras de consolidaciõ da catedral de Coria para que nõ se caia, eles sintindo que este edificio pertence a toa a diocese no sei conjunto, destinam à catedral os importes que recaudam da venda dos iconos. A dia de hoje já donaram 800 euros e recorda que os iconos que se exponhem na ermita de Valverde se podem adquiril com destino a sua recaudaciõ aos fins anteditos. 

Por último, entrevistamos ao valverdeiroValentín Sánchez Pereira o que a finais do próximo mes cumplirá 85 anos de edai, quem nos conta que tendo 12 anos, quando corriam aqueles anos da fome, os sacaram da escola e os puseram a trabalhal a madeira; os primeiros 20 anos a mã e depois compraram maquinaria e sem que naide les ensinara cómo funcionavam; eles por sua conta comenzaram a utilizá-las. 

Animau por José, o maiordomo da Cofradia da Vera Cruz, saca por a primeira vez do sei talhel estas capilhas o capelas e o retábulo com as suas talhas que foi elaborando poico a poico desde que se jubilou. Nõ representam nenhum patrõ porque foram produto da sua imaginaciõ seidas da sua cabeza. Toas as pezas que expõ estã feitas a mã, utilizando o formõ.

Os representantes da Cofradia, do talhel de Coria e Valentín.

14 jul 2015

Critérios para oriental a ortografia da língua do Val de Xálima.

critérios para oriental a ortografia da língua do val de xálima
        Inda hoje falamos valverdeiro, lagarteiro ou manhego. As tres variedais de A Fala, a língua do Val de Xálima que se conhoce popularmente com o nome que le dó a nossa comunidai autónoma, quando no ano 2001 le concedeu o rango de bem de interés cultural.

Tamém hoje escrivimos, mais que nunca antes, em notas, avisos, bandos municipais, rotulaciõ de calhes, carteis publicitários, comunicaciõs electrónicas, relatos, revistas, livros. Sintoma que mos indica a atenciõ e o carinho que temos às nossas falas locais, demostrando a grã vitalidai destas tres falas.

Mas é hora de dizel alto é claro que, inda agora apesar de escrivil e publicar-se tanto, nõ estamos escrivindo em A Fala.

Até o nosso embaixadol por excelência das nossas falas, que com o devido ou deviu respeto menciono, D. Domingo Frade Gaspar; na Igrexia Parroquial de Sã Martim de Trebelho, reconhoceu, mentras presentava o livro da sua autoria: NOVU TESTAMENTU EN FALA, que estava escrito em manhego.

Sendo consciente de que estamos escrivindo como falamos, pero tamém de que o que falamos sõ realizaciõs locais da mesma madre que nõ escrivimos; levo tempo trabalhando -com o auxílio principalmente do mei amigo é professor Eduardo Sanhes Maragoto, e o apoio de pessoas que me levã a dientreira neste caminho, como José Luis Martín Galindo- na proposta que recentemente presentei, para sua toma em consideraciõ a Associaciõ Cultural A Nosa Fala. Proposta que já hoje conta com o aval de filólogos romanistas de reconhocia autoridai, tanto na península como no estrangeiro.

O famoso, por tantas vezes mencionau, decreto 45/2001, de 20 de março, por o que se declara Bem de Interés Cultural a "A Fala" entre outras coisas di que: La lengua pertenece a los hablantes, «A Fala» pertenece a los habitantes de estas tres localidades y han de ser ellos los que digan cómo desean practicarla, en qué medida y con qué limitaciones. 

Por isso, com o fim de que os falantes tenhamos ferramentas para enzetal a escrivil tamém na língua do Val de Xálima, xalimego, valego, chapurrao, cachipurrao o como queramos chamá-la; vos ponhemos, a vossa disposiciõ, a nossa proposta que chamamos: CRITÉRIOS PARA ORIENTAL A ORTOGRAFIA DA LÍNGUA DO VAL DE XÁLIMA. 

Que Sã Cristobal mos guie por este novo caminho.

Descarga aquí: CRITÉRIOS...

30 jun 2015

Poesías y desacato, dibujando un retrato.

Hoje tenho a fortuna de dar-vos a conhecer o nascimento de um poeta valverdeiro ou valverdenho,
tanto me dá que me dá o mesmo.

Se chama Raúl, nasceu no ano 1997. Acabó estes dias atrás o primeiro curso de bacharelato de Artes Escénicas. Apenas um suspiro de vida, pero nesta curta andadura já poe sentir a estima propia de haver dau a luz o sei primer poemário, do que destaco a profundidai do pensamento que brota dos seis versos. Parece mentira que apesar desta brevedai haja acaparau tal grau de desenvolvimento.

Boas tardes, Raúl ¿nos poderias dizer desde quando escreves poesia?

Realmente nõ poderia dizer onde enceta o punto zero. Desde que sou consciente, sempres senti o impulso de escrever o mesmo relatos em prosa que em poesia. Ao princípio vã surgindo sem um tono definiu pero poico a poico vas afinando hasta que chega o memento no que pensas que o que escreves pode dar-se a conhecel.

¿Quais sõ os centros de interés que te movem a escrever?

Fundamentalmente, como sou inda um adolescente, me movem os sentimentos. Bem é verdai que os temas como a globalizaciõ, as desigualdais sociais, a pobreza, a riqueza, as guerras tamém me motivam, pero sobre o que mais escrevo é sobre os meis sentimentos.

Quando escreves, ¿escreves para ti o por o contrario o fais pensando en dá-lo a conhecer?

Sim, claro. Ei escrevo para mim primeiro, pero seria mui egoista guardar-mo para mi, porque ei sé que essas palavras o frases podem tel outra trascendência para outras pessoas e consideiro que tenho que compartilo.

Quando compartes ¿te gusta que sembre algo nos que te puderam ler?

Por suposto, me gustaria que tras a leitura a gente sacara conclusiõs o se les abrira a consciência naqueles causos nos que o poema toca um tema social.

¿Tinhas publicau algo antes de edital Poesías y desacato, dibujando un retrato?

Adisgata o ano passau publicó "Relatus cortus en fala." Nessa publicaciõ recolherã um relato mei que me contó mei aguelo.

¿Por que o título Poesías y desacato, dibujando un retrato?

O desacato a nivel emocional o sentimental por um lau, pero tamem como postura frente as injusticias da vida. Em quanto a dibujando um retrato, é um retrato genérico. Nõ pretende ser o mei retrato, por o contrario pretendo que se sinta retratau no livro quem me lea.

¿Nos poes explicar a portada?

Nõ quis ponher a cara completa com o fim de que a gente nõ associe o retrato a minha pessoa. O gesto da risa frente a um coraçõ ardendo representa o gosto que sinto queimando a "ñoñería" que existe na sociedai, pero tamem o enfrentamento de sentimentos que fervem no mei interior, por motivos de encontrar-me num estau de desequilíbrio emocional.

¿Sentes predileciõ por algum autor em especial que poda ser o tei guia?

Me gosta a obra de Miguel de Unamuno "San Manuel bueno martir" porque trata de um cura que perde a fé e este feito me choca. Me gostã muto os símbolos de Antonio Machado, da generaciõ do 27 García Lorca, algo de "marinero en tierra" de Rafael Alberti. Da generaciõ do 50 que me gusta e me he aficionau muto, Jaime Gil de Biezma e os livros que acabo de compral de Ángel González.
Pero a música tamem me inspira, o rock and roll, a música punk, certos géneros musicais se vem reflejaus nas minhas poesias porque no fundo a música tamém é poesia.

¿Onde se poe adquirir o tei livro?

A través do portal de amazon.

Neste ponto termina a entrevista na que queiro anhadir que Rául acaba o sei primer livro de poesias com varios poemas en valverdeiro porque foi com o lagarteiro as duas primeiras falas que escutó cuando vinho a este mundo; e vos deleito com estes versos entresacaus do sei poema em valverdeiro:

Vida.
.../...

¡Cuántu tempu sin relós!,
¡cuántu minutu traidor!,
matí a u tempu que me agobiaba
i u enterrí pa que durmira millor.

Que pena a de sel vellu,
pero mais a de sel criu,
porque sabis que te quedan días,
y aunque non u pensaras,
igual morrerías.

.../...

26 may 2015

A nossa língua e as nossas falas.

Dedicau a mei defunto padre Segundo Corredera, que me ensinou a querel a nossa fala valverdeira e aos meis maestros, especialmente a J. Luis Martín Galindo e Eduardo S. Maragoto.

     Sendo um zagal pensava que tínhamos que escrivil vestindo as nossas falas lagarteira, manhega e valverdeira com o traje castelhano porque dessa maneira nos ensinaram nas escolas a represental os nossos sentimentos, e porque o que nós falamos sõ trés variedais de ũa língua que se fala em território espanhol.

Nessa deriva naveguei durante muto tempo, convenciu por estas razõs que qualquer outra forma de traçar os nossos pensamentos sobre o papel apartava as nossas falas da sua essência.  

Os anos procuram-nos experiência e sossego para medital com mais atenciõ sobre aquelas questiõs que sõ importantes para nós.

Se entonces alguém me havera dito: Tonho, o que vós falais representa-se melhor na escritura se vos acercais à maneira na que o fazem os vossos vizinhos portugueses. Havera contestau:  vai-te p'aí e nõ me andes esquentando a cabeça!

Agora penso que estava equivocau, e defendo que temos mutas palavras que nõ podemos vestil com o traje castelhano, porque este nõ representa de maneira diferente palavras que soam pareciu pero que identificam coisas distintas nas nossas falas, como: presa, pressa, asa, assa, queijo, queixo...

As valverdeiras e valverdeiros hemos perdiu a conciência destas diferências quando falamos, pero isso nõ é pretexto para ter que deixar de representá-las. Por outro lau, nõ fai falta que manhegos, lagarteiros e valverdeiros quebremos as nossas cabeças inventando formas de represental as palavras que tinham a sua grafia antes de que nós pensáramos que o que falamos poderíamos tamém escrivi-lo. 

Considero ademais que ũa língua é prenda que tem que elaborar-se de um pano, evitando peças de telas distintas porque isso enche o padrõ de tantas dispensas que cada um escriviria como le parecera sendo difícil de ensinal a quem quisera aprendé-la.

Haverá quem pense quando me vai lendo que montal um traje para A Fala levará à desapariciõ das falas locais. Pensal desta maneira é o mesmo que dizel que os de New York perderã a sua forma de falal distinta à londinense porque escrivem o inglés. Que os brasileiros, angolanos e resto de falantes lusos perderã as suas formas locais de falal por utilizal o portugués. Que os distintos falantes do espanhol perderã as suas formas de falá-lo por tel que aprendel o espanhol.

escrivindo em xalimego
Fotografia de Fernando Montes Macías.
Para entendel o que digo neste trabalho temos que sel conscientes de que em cada lugal se fala de maneira distinta ũa mesma língua. As pessoas falantes lagarteiras, manhegas ou valverdeiras temos, como os neoyorkinos em relaciõ ao inglés, os angolanos com o portugués e os andaluzes em relaciõ ao castelhano; a nossa forma local de expressal aquilo que vemos escrito da mesma maneira. Inda nõ vi no dicionário espanhol forma distinta de escrivil cada palavra desta expresiõ andaluza: ¡Ozú mi arma qué caló gace! que nõ fora assina: !Jesús mi alma qué calor hace!  E repito que nõ conhoço outra forma de escrivi-la porque as distintas formas de falal em Andaluzia, sõ formas de falal o espanhol. Essa frase correta na folha pode havel siu escrita por um andaluz, um cacerenho, murciano, madrilenho, valhisoletano, albacetense, avulense, alavés, oscense...; pero escrita nõ me di de onde é a pessoa que a escriviu-a. Coisa distinta é quando a escutamos dizel de viva voz a cada um deles. 

Mutos espanhóis e espanholas dizemos - falando à nossa maneira o castelhano: deo, Madrí, dao, cuñao, capá, pa, Badajó, ciudá... pero quem sabe ler e escrivil, quando tem que plasmal estas palavras sobre o papel as reproduze completas, sem questional porque tem que grafá-las de forma distinta a como as pronuncia, e assina escrive: dedo, Madrid, dado, cuñado, capaz, para, Badajoz, ciudad... sem parecer-le estranho a naide.

Quando falamos em valverdeiro, lagarteiro ou manhego, estamos declamando na nossa maneira do lugal ũa mesma língua, que é única. Pero ademais, essa língua contempla todas as palavras, giros, expresiõs... que estã nos trés lugares, como aquelas outras que se conservã em um dos trés e que os outros já perderam.  

Agora tenho que dizel que a minha proposta para escrivil a língua é compartia por pessoas que investigam as nossas falas e que sigo postulaus que nõ sõ novos, porque de forma similar já deixaram a sua visiõ em trabalhos editaus, tendo em conta à hora de exponhé-la a opiniõ quase unánime de que A Fala provem da língua romance galaico-portuguesa, na que tamém se contemplã outras influencias que comparte com mais falas meridionais espanholas.  

Desde este ponto de vista, opino que nõ devemos modifical grafias que já existem e que gozam do mesmo significau que les damos nas nossas falas. Palavras como: anduriña, borrallo, castañeiro, enciño, engadañar, espiñeiro... tenem poico sentiu escritas desta maneira porque em Espanha soarã estranhas e nos sítios onde as dizem igual que nós, pensarã que nõ sabemos escrivi-las. Em castelhano, a anduriña se chama golondrina ou andurina, mentras que nos sítios que a pronunciam igual que nós escrivem: andurinha; se tomamos o borrallo, na língua oficial do Estau espanhol é borrajo, e nos sítios que a conhocem como nós, escrivem: borralho; e desta mesma maneira vos poderia dil contando do resto das palavras relacionás.

A diferência entre a língua e as falas está em que a primeira é ũa forma comum que as pessoas consideramos correta. É o que se chama normativa que tem a misiõ principal de facilital a comunicaciõ e a aprendizage, pero se consigue renunciando às formas locais em benefício das formas comuns.

Mentras sigamos pensando que as trés formas de falal se escrivem de maneira distinta, seguiremos tendo isso, tres falas ou chapurraus, pero nõ chegaremos mais longe. A língua, que a maioria da gente chama A FALA, é outra coisa porque a sua funciõ é a de sumal criando ũa unidai que poda sel ensiná em qualquer sítio, possibilitando que pessoas de fora dos nossos lugares contem com ũa ferramenta fácil de aprendel e útil. Mais adientre, quando estas pessoas de fora ou aqueles que sendo de cá a pratiquem oralmente, segum com quem mais se comuniquem, darã ao sei verbo um sabor mais lagarteiro, manhego ou valverdeiro.

Se chegaste a ler asta aqui, agradeço o tei interesse e assumo que a tua postura pode sel totalmente contrária à que ei acabo de dar-vos a conhocel; assumo tamém que haverá quem nõ entenda o que escrivi, agradecendo igualmente a quem me o di de frente, aportando as suas razõs, porque me ajuda a seguil crecendo.

Isto é o que penso trás muto estúdio, meditaciõs, investigaciõs..., dando voltas à cabeça sobre o tema; seguro que tem mutas faltas e que poderei estal equivocau; por isso este artículo o saco à luz sem outra pretensiõ que a de aportal o mei ponto de vista pero com o mesmo amor e carinho que  o que professam os que trabalham por a preservaciõ das nossas falas e a nossa língua, inda que levem caminhos distintos.

Vos mando nesta folha mutas grácias com abraços xalimegos e os meis deseus de que procureis sel felizes.

11 abr 2015

A espera.

                                Sinto o embate de um mar interior.
                                A preamar rompe as suas crestas,
                                em rítmicas batias sobre o mei coraçõ.

                               O aire penetra depressa,
                               por entre os buracos do mei acantilau nasal,
                               frenando o empurriar da maré alta.

                               Por momentos,
                               recolhe-se para o ventre,
                               experimentando um ilimitau vazio nas costelas.

24 feb 2015

Exibiciõ de jotas a cargo do grupo u fresnu com a colaboraciõ da associaciõ pulsu y pua de Valverde.

        O passau 1 de fevereiro, com motivo da celebraciõ das tradicionais festas em honor a Sã Bras, o grupo e a associaciõ valverdeiros u fresnu e pulsu y pua, nos deleitaram no salõ de actos da área cultural val verde, com um repertorio  folclórico de bailes e canciõs que aprenderam dos nossos maiores, mutos dos cuais ia nõ estam entre nós.
grupo u fresnu.Foto de Senén García
Grupos: Pulsu i pua e U fresnu. Foto de Senén García.

Nos toca vivil nũa época que chamam da globalizaçiõ, caracterizá em que to é igual em tos os lugares em to momento, pero isto trai um problema grave cuando nõ somos conscientes de que levamos com nós ũa carga cultural e ũas tradiciõs que nos fazem singulares e diferentes a oitros lugares o regiõs que levam o levavam as suas propias notas diferenciadoras, se bem agora, por isso de estal tos intercomunicaus as 24 horas do dia, nos fai menos distintos.

O problema é que vamos perdendo parte do nosso património cultural de manieria que os que venham ao mundo nestes rincõs, no próximo século, é fácil que desconhezam que era um panhizuelo de 100 colores, as saias de picao, a fraldiqueira, o mandil bordau, as canciõs de a chana e manojo le escribe cartas a su hermana la pequeña, as canciõs de picadilho, as jotas os redobles, etc...

Com a exibiciõ, u fresnu assina como pulsu y pua, volvem a recordal que nõ vivimos para sempres e por o tanto toa esta riqueza que inda disfrutamos a través delas e deles e que a nos pertenece, se dirá perdendo se nõ hai quem quiera agarral o testigo. É por isso que vos pedem aos zagais e zagalas novos e novas que vos animeis a participal, para seguil aprendendo e conservando esta riqueza e assina podel transmití-la a quem venha detrás de nós, que seguro que saberá apreciá-lo e agradezé-lo.

Solo necessitais um poico de interés para ocupal bem um poico do vosso tempo livre junto a um grupo de pessoas que disfrutam aprendendo, bailando e dando a conhecel este precioso património em celebraciõs o festividais, bem no nosso lugal como em oitros sitios.

Alí ondi sõ invitaus a participal sempres sõ bem recibius e ademais, a colaboraciõ com estas associaciõs facilita a possibilidai de comunical-se com oitras pessoas, sentil-se arropau e aprendel de oitros grupos com as mesmas aficiõs inda que levem folclore distinto.

Vos animo em nome do grupo de jotas U FRESNU e da associaciõ PULSU y PUA a que vos aponteis para aprendel, bailal e ensinal o dia de aminhã aos que venham detrás de vos, para que sigamos conservando aquilo que nos distingue de forma tam coloria, armónica e preciosa.

Para terminal vos mostro um vídeo feito com os retratos da exibiciõ, que foi editau com as suas propias tomas por o nosso paisano e bo amigo Senén García Carrizo.


Espero que vos goste.

Festas de Sã Bras, 2015. from valverdeiru on Vimeo.

Nota: Este trabalho está escrito na minha proposta de FALA, a lingua dos tres lugares de as Elhas, Sã Martim de Trevelho e Valverde, que ei gosto em chamal XALIMEGO; porque falas sõ trés: lagarteiro, manhego e valverdeiro.

20 oct 2014

Cum forza, valol i coraji, chega-si hasta Victoria.

Cuandu vimus a esti mundu i us nossus maioris nus bautizam, a vezis nus põim um nomi que marcará tos us acontecimentus que nus acompanharam au largu da nossa vida.

Assina pensu, enquantu escutu a minha paisana Victoria conformi vai-mi detalhandu as duras provas que tuveram que superal seis agüelus maternus, seis propius padris i en definitiva a sua familia i ela mesma.

É fácil que sua madri Patrocina, que se foi desti mundu físicu fai cuatru anus, decidira quedal patenti a fortaleza de aquela familia, rememorandu toas as vecis que haviam ganhau as incontáveis penuarias du tempu que tocou-les em sorti vivil, escolhendu esti nomi para sua filha.

Victoria Valiente Vicho, naceu en Valverdi fai cincuenta anus, nus que ha tiu que lutal mutu pa sel pa dientri, pero têm umha batalha que sinti pur acabal. É superal u enormi vaziu que queda tras a morti da sua madri em momentus delicaus para sua propia vida, na que se enfrenta a umha enfermedai degenerativa a vez que agressiva, véndu-si a falta de ela naquelis momentus em que pur as operaciõs se sintia sola, depois de havel dedicau a maiol parti dus seis días i noitis, duranti seis mesis au cuidau da sua madri. Aquela dedicaciõ primeiru a sua madri seguiu das secuelas da enfermedai a quedam impossibilitá para u trabalhu i é a partil de entoncis, a largu das intermináveis noitis sim dormil, que sintindu a chamá du sei sel mais queríu, enceta u que sin sabel diva a sel a sua terapia para ganhal estas últimas batalhas.

Desta forma naci u livru "Fortaleza, valor y coraje" das veas de umha mulhel que espera toas as noitis que u dolol se apiadi de ela apesal de roubal-li u sonhu.

Cuandu decidi sacal to isu para fora, i estampalu nu livru, me di que u fai cum u ânimu de que sirva de ejemplu para us seis filhus peru tamém para toas as pessoas novas, porque nel aparecim mutus valoris que nesta sociedai na que vivimus estã mui olvidaus o se utilizam poicu.

Me di que sintiu muta alegria cuandu esta noiti atrás um zagal de vintioitu anus le fizu sabel que havia comprau u sei livru, porque esi feitu di mutu de zagais comu esti que gusta de cunhocel daquelas gentis du sei lugal i daquelas épocas que él nõ viviu.

A minha pergunta acerca das dificultais para leval adientri u livru, contesta que podu imaginal-mi tendu em conta que foi poicu tempu a escuela i que sabi escrivil o justu pero, comu di u títulu, cum forza, valol i coraji se consigui to nesti mundu; "si ei me ponhu umha meta, voi a conseguilu, me custi u que me custi."

Creu que a moraleixa que poi sacal-si desta obra, é que naquelis tempus dificeis que viviram us agüelus de Victoria, que tuveram que emigral de Purtugal a Valverdi, havia mais uniõ nas familias i entri as pessoas que se ajudavam umhas as oitras pa sel toas para dientri.

Termina dicendu-mi que si é capaz de recuperal u dinheiru invertiu na ediciõ du livru, to u que levanti a maioris u quel destinal a Cáritas.

Ánimu paisana, i assina será, porque estás feita da energia cua que se consiguim as Victorias.

7 ago 2014

a-Gaza-paus

Apenas desapareceu u luscu fuscu, cuandu aquela minhã despertava diferenti.
Padecia um gravi dolol nu mei costau isquerdu.
A cabeza pesava-mi mais que u corpu.
Us pes sentiam cristais rotus cravándu-si nas minhas entranhas.
Nu cuelhu, um cutelu de angustia, cortava-mi a respiraciõ i a fala.
U Ciclopi abria u olhu ensangrentau, pintandu cua sua mirá to u firmamentu em colorau.
Falava-mi da maneira que savi u Universu.
Treia-mi de Orienti gram denuncia.
Us diosis aborreciam us sacrificius de cordeirus.
Agora pediam au sei pueblu a sangri de pessoas inocentis.
Asina, mentras cus pájarus de ferru, cus elefantis metálicus i as trompetas de fogu divam desfolandu a sortis, u ceu frenti a ventã das nossas casas afogava-si em um inmensu mar de amapolas.
Nos seguíamus aqui a-Gaza-paus.


22 jul 2014

"Couto de homiziados."

Esta nova aportaciõ cua que sigu alimentandu us rius de tinta escritus sobri acontecimentus relacionaus cus nossus lugaris, que puderam dal lu pa esclarecel u feitu de que falemus i escrivamus asina; é ũa parti mais de um fiu inacabau, que encetí cua publicaciõ ¿Pur qué xalimegu?, continuandu cum: galegus, purtuguesis, dambus... ¿quem u sabi?, apois cua rosa albardeira i pur últimu cum Sã Bartolomé.

Au fondu Sabugal.
Toma feita desdi a raia, cerca de us Lhanus entri Valverdi, Navasfrias i Foios.
Sé que é dificil convencel a quem aprendeu a escrivil na escuela em castelhanu que podemus escrivil u que nos falamus de oitra forma mais acordi cum a madri de ondi vem. Sé que é dificil tamem, porque se inculca nas nossas consciencias, que u que falamus se devi aus galegus, i comu us galegus i nos somus espanhois, temus que escrivil cua grafia castelhana aunque u que falemus us galegus i nos venha de raizis mais antigüas.


Sõ mutus us que pregonam que ia está bem de dal voltas sempris au mesmu tema i que devemus de punhel-mus mãs a obra cum u fim de encontral a forma de creal a norma sobri a que montal u edificiu da lengua, que a maioria chama "A Fala" i que oitrus consideramus que esti nõ é um nomi adecuau pa chamala. Pensu, comu quedí ditu noitru trabalhu anteriol desti fiu, que devia tratal de comental algũas curiosidais que se dã, que estã ahí i que consideiru que inda no se contaram o cuandu se dijeram quedaram coixas. I me movu a contalas porque sintu que se guarda um certu silenciu, acompanhau de certa conformidai, cuandu repassandu u que se escrivi i se di sobri a nossa lengua, se omiti u feitu fronterizu o se di que nõ e tam relevanti. É comu si mus dera vergonha falal dus nossus vicinhus i parentis i quiséramus borral das nossas memorias toas aquelas historias que mus contavam us nossus maioris.

Estis dias atrás falava cum mei paisanu Alfonsu Berrío i logu cum sei primu, u mei colega José Luis "u botas", sobri aquilu que oiviram dicel mutas vecis a seis güelus i que José Luis, oiviu tamem contal de boca de mei difuntu padri Segundu; de que Valverdi havia siu sempris um niu au que vinham a paral mutus purtuguesis que estavam escapaus da justicia du sei pais.

Cuandu de istu falávamus, ei dicia a mei colega "u botas" que, comu mei padri havia siu Secretariu du Juzgau de Pa de Valverdi, sempris havia pensau que se referiam a tempus mais modernus. De feitu, conta u axuntamentu de Valverdi, nu sei archivu históricu, cum mutus salvoconductus concedius pur u propiu axuntamentu a purtuguesis que fulhiam da sua naciõ pur motivus políticus.

U tempu, que vai punhendu as pezas du rompecabezas nu sei sitiu, mus fai vel que u que recordava-mus u oitru dia, que havia-mus oiviu contal aus nossus güelus i padris, vinha de mais lonji.

Ditu istu, enlazu cum u últimu renglõ du anteriol artículu "Sã Bartolomé" nu que acabava dicendu: Inda temus mais que contal relacionau cus nossus vicinhus, pero issu é farinha de oitru costal.

Aquelas historias que, a lu inquieta da lumi du fogal i au calol du carinhu dus nossus güelus, oiviamus mentras u restralal das putricas ficiam imaginal-mus historias, a metai mágicas a metai de meu; resulta que tinham menus de contus i de lendas que de feitus reais.

Asina comu us reis de Castilha i de Leõ dictavam fuerus i cartas pueblas concedendu privilegius aus lugaris fronterizus dus reinus, animandu as pessoas a assental a sua residencia nestis sitius; us reis purtuguesis ficiam u propiu utilizandu ũa figura que chamavam "couto de homiziados" que, pa entendel-mus, vinham a sel comu um coitu ondi se dava dereitu de asilu a pessoas condenás a ũa pena, as que pur asental-si naquelis lugaris  redimiam éstas mais prontu. Eram de tal importancia pa defensa du reinu que prevaleciam us privilegius daus pur u rei a estis coitus sobri u dereitu canonigu de asilu nu lugal nu que se estableciam us "coutos."


A vila de Sabugal aus pes da torri du homenaji du sei castelu,
mirandu au Esti ondi se encontram as terras de "Castela."
As cartas de "couto" se davam a lugaris fronterizus que sentiam u peligru ca dia. Foi Sabugal um dus primeirus lugaris que contó cum carta régia, pur consideral que era um dus que estava sometiu a mais amenazas. Pensam us historiadoris de Purtugal que foi D. Dinis nu anu 1308 u que concedeu a Sabugal a carta, si bem nõ se fala de ela hasta u 21 de setiembri de 1369, cum ocasiõ de mandal a autoridai local um escritu au rei don Fernando I, nu que dicia que u lugal se quedava sim genti porque us "homiziados" se divam du lugal aducindu que nõ pudiam sel du coitu em busca de sustentu.

A pesal das medias pa evital a continua sangria da poblaciõ de Sabugal reconhociam, comu puntu negativu, que tinha mutu que vel cu despoblamentu u feitu de que esta vila estuvera asentá tam cerca de "Castela."

Comu Sabugal gozava dus milhoris privilegius, era comum que as oitras vilas i ciudais raianas solicitaram dus reis purtuguesis que concederam a elas us mesmus dereitus dus que gozava aquela oitra.

Estandu u rei D. Fernando I em Covilhã nu anu 1377, u concelhu i homis bos de Sortelha vã  a vel au rei pa exponhel-li que estandu mui despoblá, us que abandonaram a vila, que andam perdius pur "Castela", ficeram savel au concelhu que si u rei concedia a Sortelha us mesmus dereitus que gozava Sabugal, regresariam au lugal.

I devia de sel tal u númeru de pessoas que passavam a esti oitru lau da raia que, u rei D. João I, u dia 14 de agostu de 1416, cunhocendu que algums homis de Ribacôa, Guarda i Covilhã cometiam delitus de roibus i asesinatus; prohibiu que us que cometian talis delitus puderam inscrivil-si nu couto de Sabugal. Cincu anus depois, esti mesmu rei firma  ũa carta mais dura porque na realidai us que cometiam us delitus se vinham a vivil fora du reinu.

Penamacor foi couto desdi 1379 i aunque u motivu principal dus cuotos é u poblamentu, as condiciõs de vida na fronteira eram mui duras, comu queda reflejau nas cortis que se celebraram em Lisboa em 1439 i 1442, nas que Penamacor apareci comu despoblá i probi, aunque pareci que nesti casu é consecuencia das pestis i das guerras, baixandu a poblaciõ de 1200 a 115 homis. Tamém, cum motivu da crisis de 1383 a 1385, cuandu morri D. Fernandu I sim heredeirus varõs, mutus vizinhus de Penamacor deixam a vila passandu a "Castela." A estis fugitivus de Penamacor, que se venim nu periodu da crisis, us seis paisanus puseram u moti de "cismaticos."

Monsanto consigui a carta na primaveira de 1476, logu de havel feitu vel as mutas penurias i pobreza que sufriam us poicus moradoris hasta u puntu que se viam obligaus a dirsi de alí. 

Guarda, a peticiõ dus seis vizinhus, que deixam constancia de que a ciudai está despoblá, recibim carta pa 200 homiziados cua firma du rei D. Fernando I, nu anu 1371, pero nõ sõ capazis de aumental u númeru de residentis pur u que u rei D. João I, em 1427 cum motivu da firma de confirmaciõ dus privilegius concedius pur D. Fernando I, chega a aproval que podim gozal de aquelis privilegius tamem us que estem escapaus en "Castela" que regressim a ciudai.

Finalmenti, nesta zona que mus afecta pur vecindai, u rei D. João I tamem concedeu couto de homiziados a Penha Garcia.

U picu du Xálima nu términu de Sã Martim de Trevelhu,
vistu desdi u castelu de Penha Garcia.
I agora vus perguntu ei.

Si us nossus güelus mus contavam que istu foi sempris um niu ondi se refugiavam us purtuguesis que escapavam da justicia du sei pais. Havendu leiu u que vus contu, que nõ e productu da minha imaginaciõ; nu que digu que us perseguius pur a justicia purtuguesa se pasavam pa "Castela." Si temus en conta pur oitru lau que nõ disponhiam de medius de desplazamentu tam sofisticaus comu us que agora gozamus i que deixavam au restu dus seis familiaris em Purtugal, us cuais poderiam um dia reunirsi cum elis. ¿Ondi penséis que se asentariam aquelis vizinhus escapaus du oitru lau da raia, cuandu se vinham pa u que elis chamam "Castela"? Si eram tantus us que se divam, que deixavam  sin genti as vilas i ciudais que aparecim nesta historia, hasta u puntu que us reis de Purtugal tinham que estal concedendu i milhorandu us privilegius cus cuotos de homiziados pa evital as partias o pa ficel que volveram us que se foram. ¿Inda penséis que aquelis nõ tenim na que vel ni cum nos ni cum u que atesoramus cuandu falamus?

¿Tantu devemus a Galicia i tam poicu a Purtugal?

Comu sé que as coisas novas se asimilam milhol em pequenas dosis, eitu aquí a firma i seguiremus falandu nu próximu artículu desti fiu dus nossus vizinhus i parentis purtuguesis du Medievu.

Esti alumbramentu se devi em gram midia a consulta destis documentus:

Dois concelhos medievais da beira interior: Sabugal e Sortelha. Humberto Baquero Moreno. Revista de Guimarães, n.º 103, 1993, pp. 345-358

Os coutos de homiziados nas fronteiras com o dereito de asilo. Margarida Garcez Ventura.

9 jun 2014

Sã Bartolomé.

Cualquera que leera us dois trabalhus anterioris cus títulus: galegus, purtuguesis, dambus... ¿quem u sabi? i a rosa albardeira, haverá podíu darsi conta de certas coisas:

Em primel lugal, dava a cunhocel feitus que puderam relacional a tres falas: lagarteria, manhega i valverdeira - da nossa lengua xalimega - cua colonizaciõ destas terras pur us purtuguesis que sirvíam au rei D. Afonso Henriques.

Em segundu lugal, da mesma forma que voi introducindu elementus que mus relacionam na historia cum aquelas influencias, voi vistindu a nossa escritura xalimega cuas grafías lusas. Pur isu quem me venha leendu desdi fai tempu se haverá dau conta desta evoluciõ que, mutus ia felicitam i otrus tantus criticam. Pa estis últimus solu dicelis que, cum to u respetu pa u castelhanu que queiru na mesma medía que as nossas falas da lengua xalimega; éstas, - as nossas falas - luzim mal cua roipa castelhana porque, comu queda acreditau na cantidai de trabalhus que sobri elas hã dejau escritus destacaus sociólogus, filólogus i lingüístas europeus i espanhois desdi finais du siglu XIX aus nossus días; as nossas falas xalimegas apareceram antis que u castelhanu i desdi sempris as aprendimus primeiru que ésti.

Pur últimu, apuntava que daría a cunhocel um descubrimentu pur estal olvidau da memoria du nossu lugal i pur fim, nesta nova aportaciõ, comu vus lu había ditu, u sacaré a lú.

Feitas estas aclaraciõs, passu a desarrolhal u tema principal desta nova entrega de investigaciõ, retomandu u fiu sobri us purtuguesis que colonizaram estas terras, us que vinheram protegíus pur a Ordim du Templi que a partil de 1311, i pur razõs que nõ venim agora au casu, tomó u nomi de Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo.


Gregorio Bausa-San Bartolomé
Gregorio Bausá, San Bartolomé apóstol,
 óleo sobre lienzo (131 x 100 cm.),
 Museo de Bellas Artes de Valencia.
Us Templarius veneravam a santus que, aunque nõ eram da Ordim, tinham muta devociõ pur elis comu: Sã Miguel, Sã Bras i Sã Bartolomé; entri otrus.

Siguindu a obra Codex Templi. Los misterios templarios a la luz de la Historia y de la Tradición. Publicá pur Templespaña. Segunda ediciõ de 2005. Sã Bartolomé, em arameu se traduci pur u que fai us surcus, pasandu au griegu comu u filhu du agricultol i guerreiru. Us que se dedicaram au estudiu desta Ordim sõ da opiniõ de que esti santu é u que mais se relaciona cus templarius. Havendu siu considerau comu um mediadol das tres culturas: judía, cristiana musulmana.

Pa us católicus i anglicanus a sua festa se celebra u día 24 de agostu i us ortodoxus a celebram u día 11 de juniu (Sã Bernabé). Festa que inda se sigui celebrandu nas Elhas.

Au largu de toa a península dejaram a sua impronta cuas advocaciõs a esti santu, comu se poi aprecial nu mapa que he marcau cus lugaris ondi se celebram inda festas o romerías nu sei nomi.

Abrindu u mapa au tamanhu adecuau vemus comu cerca de Valverdi se siguim celebrandu um montõ de festas baju a sua advocaciõ du otru lau da raia comu em: Nave de Haver, Badamalos, Aldeia do Bispo, Guarda, Colmeal da Torre,Salgueiro, Vales de Pêro Viseu, Vale de Prazeres i desti lau da raia em Zarza la Mayor o em Valencia de Alcántara, nombrandu aus lugaris mais cercanus.
  
I vos me diréis, - vali, to istu me poi o nõ interesal, pa passal de seguíu a preguntarmi: - ¿mais qué tem que vel cum nos?

Pa quem tenha interés en sabel mais, passu a desvelal u misteriu.

Existim valverdeirus i valverdeiras que recordam o sabim que cerca de Salvaleõ había ũa pequena ermita.

Nu magníficu libru da autoría de Florencio Javier García Mogollón Viaje artístico por los pueblos de la Sierra de Gata (Cáceres). Catálogo monumental. Tem escritu sobri ela u que cuas minhas palabras vus contu: Se entrava pur um arcu que estava protegíu pur um aleiru levantau cum tres columnas. U solu estava empedrau cum pedras pequenas -suponhu ei que estaríam colocás da mesma forma que vemus agora na ermita du Santu Cristu-; u telhau era de madeira i construíu a duas aguas. Nu altal se levantava um tabernáculu feitu en madeira, cum duas portas, en ca ũa delas había ũa santa pintá. Ésti se utilizava pa guardal a estatua de Sã Bartolomé. Tamem se di, citandu a García de Figuerola Paniagua, que nas cercanías da ermita se apreciam restus de um velhu poblau que podería sel tardurromanu o medieval.

Sabemus que nas cercanías de Salvaleõ se levantava a ermita de Sã Bartolomé, santu de advocaciõ templaria que desdi u mei puntu de vista, siguindu u fiu dus dois trabalhus anterioris sõ de autoría purtuguesa, peru hasta u de agora nõ hemus falau du descubrimentu que vus había prometíu.

U novu vem agora.

Du fondu documental du archivu históricu municipal de Valverdi, inda pendienti de organizal, queiram nas minhas mãs certus legajus du siglu XVIII. Tratavam du gobernu municipal i das elecciõs dus maiordomus. Um delis é u acta da reuniõ que celebraram u día primeiru de febreiru du anu 1790 nas casas consistoriais us senhorisdon Ramón Escobales, Alcardi ordinariu; Diego Lajas Arroio i Juan Bazquez, Regidoris i Matheo Lajas, Procuradol Síndicu General. Tos elis a presencia du senhol escribanu propietariu du axuntamentu don Juan Antonio Moro de Villalobos, cua asistencia du señol Frey don Rodrigo Morillo de Velarde, da Ordim de Alcántara, cura rectol da Parroquial du lugal. A reuniõ se levó a cabu pa nombral pur um anu aus maiordomus. Um delis -copiu literal u que dí na acta-“Por Maiordomo de Sn Bartholome Patrono de este Concejo, al maiordomo que es del Concejo.”


Concejo quel dicel u lugal; pur u tantu u descubrimentu mus dí que antis de que Valverdi tuvera pur patrõ a Sã Dámasu, celebrábamus comu tal a Sã Bartolomé. U primel patrõ du nossu lugal u trujeram us primeirus pobladoris que se assentaram cá cuandu abandonaram Salvaleõ. Si bem Valverdi comu parti da encomenda de Salvaleõ foi entregá a Ordim de Alcántara nu siglu XIII, u nossu primel patrõ vinhu da ermita que deveram de levantal us Templarius portuguesis i a esti patrõ celebrávamus pur u menus hasta finais du siglu XVIII. Hemus de suponhel que pur aquelis anus a ermita inda se encontrara en bo estau de conservaciõ.

Inda temus mais que contal relacionau cus nossus vicinhus, pero issu é farinha de otru costal.

31 may 2014

As froris das jaras.

U sé a cencia certa,
estoi seguru porque elas contárammo.

Tos us anus, as estrelas celebram a festa da partía.

Sí, hubu ũa ve que a Terra vivíu na pracenta da Madri de to u cunhocíu i pur sabel.

Era parti da esencia da Na, de ondi to provem.

Según se diba gestandu na profunda matrí sim medía,
sonhaba cum sel em busca dus brazus du sei amau Espaciu, que agora a acuna.

Inda nõ se medíam as coisas que pasabam cua vara du tempu,
cuandu apareceram us doloris du partu.

Naquel                                                             se oivíu un grã ruíu jamás escutau.

Ũa palmeira de fogus expandíu tantas, as suas ramas,
que nõ temus númerus pa contalas.

Eram brínquilis de Lu que buscabam un puntu inmaterial ondi engarzarsi.

Asina naceram as estrelas,
pero estabam solas i pidiram a sua Madri ũa hermana.

Foi entoncis, cuandu ú úteru inda nõ se había replegau, que seiu ela.

Era comu u capulhu de ũa rosa colorá que colgaba de un cordõ brancu retorcíu.

Nu caminhu em busca du sei amau, que agora a tem nus seis brazus; du cordõ se desprendeu,
i a Madri, que to recicla, u cordõ trocó em Luna du alumbramentu,
pa que a Terra tuvera un espelhu ondi mirarsi.

Según perdía u encarnau colol das forzas eitás nu partu,
foi tornandu u sei corpu em azul turquesa,
i se diba alejandu das suas hermanas maioris, mentras se cenhía pa sempris
a forza orbital de sei Padri.

As estrelas entristeceram, dejaram de xugal au redol da Luna pur u día
i pensaram que tinham que rememoral aquel tempu em que tuveram cerca a Gaia.

Dizim as fontis esotéricas, marcás nus barrocus da serra du nossu lugal,
que tos us anus, ũa noiti de abril, as estrelas danzam nu ceu u baili da despedía,
nu que ca ũa vai ficendu un retratu sei de cincu pétalus,
em ca un dus que derrama ũa lágrima de sangri em prenda du sei dolol pur a partía.

Acabá a festa, dejam quel u sei regalu au sideral abismu,
pa que chegui au regazu desta pequena hermana sua que habitamus.

Pur aminhã, cuandu u olhu du Cíclopi se desperta
levantandu a sua cegadora i cálida mirá pur cima das crestas que mus guardam,
vemus u nossu campu sembrau cum u presenti que mus enviaram as estrelas,
que nos chamamus a frol da jara.

20 may 2014

rosa albardeira.

Nu trabalhu anteriol, du día 21 de abril passau: galegus, purtuguesis, dambus... ¿quen u sabi?, dicía que “son fracas as fontis que podan certifical a veracidai de que estas terras foram acupás pur us nossus vicinhus purtuguesis nus tempus de D. Afonso Henriques” pero tamém chamaba a atenciõ sobri “certas concurrencias de feitus que me facim pensal” i que poderíam apuntal a ocupaciõs i custodia de castelus cun pessoas vicinhas du oitru lau da raia.

Apoiaba a minha idea en dois motivus principais. Primeiru, cuandu us historiadoris dicim que Fernandu III de Leõ entrega Trevelhu a Ordin Hospitalaria de San Juan de Jerusalén -anu 1184- ésta inda nun contaba cun caráctel milital; sendu da opiniõ de que a defendía u Templi, que debeu de entral desdi Purtugal. Segundu, que us templarius defendíam tamém Salvaleõ porque cuandu em senhal de agradecimentu pur us servicius prestaus u rei leonés entrega a éstis as fortificaciõs de Trevelhu, Bernardu i Benaventi, nun se di na de aquela, u que me feia pensal que u motivu era porque ia estaban defendendu aquela praza.

Paeonia broteroi. rosa de Alejandría. Fotu Xálima Miriel
Depois desti brevi ressumem, voi a introducil oitru elementu que me guía a pensal nus nossus vicinhus raianus, novamenti. Se trata da frol, que em Valverdi se cunhoci comu a rosa de Alejandría.

Chamamus asina a ũa clasi de peonia. Planta hoxi endémica i protegía.

Enrique Burguet, nu sei extensu i bem documentau tabalhu, titulau: SALVALEÓN: Ciudadela fantasma y enclave legendario, que publicó na revista DETECCIÓN & MONEDAS, númerus: 12, 13 i 14; fala da PEONÍA (Paeonia officinalis L.) EN LAS RUÍNAS DE SALVALEÓN: Último Testigo Viviente?

Chámali a atenciõ u feitu de que fora plantá alí, en Salvaleõ, desdi tempus tan lejanus; pensandu que nun sería solu pur motivus ornamentais i que tendría que vel mutu cuas suas propiedais curativas; dicendu que desdi us tempus de Hipócrates i Teofrasto se vinha empleandu contra a epilepsia, da que se pensaba que era enfermedai treida pur u demoniu. Citu da obra de Enrique Burguet u siguienti:“Y según creencias que nos vienen de Bizancio, la peonía tiene el poder de ahuyentar al demonio.” Sentencia que Enrique traslada du libru du doctol Pio Font Quer. Plantas Medicinales. El Dioscórides Renovado. Editorial Labor, S. A. Octava edición: 1983. Barcelona. Página 203.

Queru chamal a atenciõ sobri dois nomis propius que aparecim nesti artículu: Alejandría i Bizancio. Ambas ciudais están ligás as Cruzás, u que me fai pensal de novu que esta peonia que circunda cua sua delicá hermosura, toas as primaveiras, us restus du que fora a muralha de Salvaleõ, é un regalu que mus trujeran us templarius.

U motivu nu que apoiu a minha hipótesis de que foram elis i nun oitrus us que a trujeram, é porque comu quedó ditu na anteriol entrega, u Templi se crea en primel lugal pa defendel aus peregrinus que diban aus Santus Lugaris. Participaram nas cruzás, dindu na primeira hasta Bizancio i nas oitras bajaram desdi Damascu hasta Alejandría.
 
Desdi u mei puntu de vista é ũa Paeonia broteroi o broteri que ten mutus nomis comũs. En Valverdi, repitu, a chamamus rosa de Alejandría, aunque us mais maioris, comu u tíu Albertu, que conta hoxi cun mais de 90 primaveiras; a distinguim comu a rosa albardeira. Desta mesma forma se chama em Purtugal.

Oitru nomi científicu é Paeonia lusitánica.

A propósitu de lusitánica; en Estremadura, na pruvincia de Badajó,  a cincu kilómetrus, aus pes da ciudai de Olivenza, nu términu de San Jorge, se levanta a serra de Alor. Nesta serra brota, igual que en Valverdi, a Paeonia broteroi, admirá en toa a comarca de Olivenza cun u nomi de rosa de Alejandría.

Olivenza foi defendía pur us Templarius i cedía aus purtugueis, pur u tratau de Alcanhices, nu anu de 1297. Nun voi a contal mais da historia desta ciudai, hoxi estremenha, dau que nun é motivu principal de estudiu nesti trabalhu. Solu deju estis apuntis pa que pensemus sobri as coincidencias.

Antis de terminal, apuntu que a rosa de Alejandría inda se poi encontral na mitai Oesti da península ibérica, salvu na parti mais occidental du Norti de Purtugal, gran parti de Galicia i na cornisa cantábrica. Si ejecutáis u enlaci, podéis vel un mapa cua sua distribuciõ de u oitru lau da raia: Paeonia broteroi en Purtugal.

Frutu da peonia en forma de albardas. ©A. Corredera.
Chegaus a esti puntu, gustu mais de chamala rosa albardeira asina comu a cunhocían us nosus maioris i dandu vortas au nomi, he feitu esta ilustraciõ du sei frutu, que se configura a modu de vainas, que mus recordam as albardas que se subían aus lomus das cabalherías pa transportal a carga a dambus laus.

Comu diji nu artículu anteriol, i continuandu cu tema dus Templarius, na próxima entrega vus daré a cunhocel un descubrimentu, pur encontrarsi nu olvíu da memoria colectiva du nossu lugal i que mus leva, de novu, a miral aus nosus vicinhus du oitru lau da raia.

Agradezu a colaboraciõ de Xálima Miriel, ũa valverdeira enamorá da sua terra i das suas gentis, que me prestó a sua preciosa fotu da Peonia pa ilustral esti artículu.

21 abr 2014

galegus, purtuguesis, dambus... ¿quen u sabi?

Eduardo Sanches cunmigu, na minha casa.
Retratu de César Corredera M.
Na separata As falas das Elhas, Valverde e S. Martinho (Cáceres): origem galega ou portuguesa? da autoría de Eduardo Sanches Maragoto; publicá na obra Lengua, ciencia y fronteras 2011, baju a coordinaciõ de Ramón de Andrés Díaz, se lanza a posibilidai de que estas terras nun foran colonizás pur galegus, sendu mais fácil de sustental que foran us purtuguesis us que as ocuparan sirvindu au rei D. Afonso Henriques.
Esta posibilidai apuntá pur Eduardo Sanches alentó u mei ánimu pa dal vortas sobri u tema i tratal de comental, algũas curiosidais que se dan, que están ahí i que consideiru que inda no se contaran o cuandu se dijeran quedaran coixas.
Son fracas as fontis que podan certifical a veracidai de que estas terras foran ocupás pur us nosus vicinhus purtuguesis pur aquelis tempus; aunque se dan certas concurrencias de feitus que me facin pensal i das que vus apuntaré, a continuaciõ, as que me parecin mais cercanas cu tema,  pa que as valoremus i as sometamus au oportunu debati; peru que consti que cua minha aportaciõ nun se pretendi desvirtual as sesuas opiniõs que afiman que esti enclavi foi repoblau pur galegus na noiti dus tempus; sinõ mais ben que, pur entoncis, si vinheran i se quedaran; se encontraran que aquí había pesoas cuas que pudían mantel ũa palrá distendía porque falaban igual o parecíu.
Veamus:
Primeiru: A Orden du Temple se crea en primel lugal pa defendel aus peregrinus que diban aus Santus Lugaris. Ensiguía se multiplican i repartin pur Europa i pur a Península Ibérica cua aprobaciõ das bulas papáis, acatandu as normas que escribíu pa elis San Bernardo de Claraval. Pur estis primeirus anus se muvían cun muta libertai, animaus pur us beneficius que cunsiguían dus monarcas, pur a sua participaciõ nas operaciõs que éstis disenhaban; pero nun guardaban  ũa relaciõ de dependencia cu elis, pur tel  ũa vocaciõ universal.
Segundu: Alentaus pur aquela vocaciõ, cuarenta anus antis de que us mestris da Orden du Temple esparciran as suas encomendas pur as terras du reinu de León, colaboraban aventandu sarracenus du condau independienti de Portugal, que logu pasaría a sel reinu de Portugal.
Nesis anus, us purtuguesis limpaban as suas terras i u Temple, entri oitras tareas, se dedicaba a selhal as portas.
A idea de "selhal" a digu nu dobli sentíu de defendel as terras purtuguesas de entrás no autorizás i nu de estampal a marca templaria cua populal apariciõ de historias de moirus, tesoirus i culebras; marcas i senhais esotéricas nas pedras das fábricas de cantería das igresias i ermitas; asina comu a entronizaciõ de advocaciõs dus santus da sua devociõ; das vírginis negras i a sua propia insignia, a cru de oitu beatitudis, que é a mesma que utilizaba a Orden Hospitalaria de San Juan de Jerusalén, cua diferencia que ésta é branca i a dus templarius era colorá.
Us canteirus templarius dejaran mutas senhais nas fábricas das igresias i dus castelus, de difícil traducciõ; comu ocurri cuas marcas que aparecin nu castelu de Trevelhu; que nun se parecin as du castelu de Santibanhe ni as da igresia de Acebu. Pudu sel que us canteirus que ampliaran a defensa trevelhana foran purtuguesis.
Castelu de Trevelhu. - Imagen de Senén García Carrizo -
Trevelhu foi primeiramenti  ũa torri de vigilancia musulmana; se encontraba nus territorius que se deran en chamal transierra - transerra leonesa nesti casu - é dicel que se tinha pensau utilizal comu vía de expansiõ du reinu leonés.  
Das fontis consultás ũas dicin que u rei de León - Fernando II - entregó Trevelhu a Orden Hospitalaria de San Juan de Jerusalén en 1184, oitras fontis dicin que do esta praza aus Templarius. Tamén se dí que us hospitalarius nun chegaran a constituirsi comu ordin milital hasta u anu 1200, entoncis dificilmenti podrían defendel elis solus esta praza antis desa fecha i soi da opiniõ de que us templarius ocupaban esa praza cuandu Fernandu II a cedeu, i que moraban la en razõ a que as fronteiras nun debían de estal ben definías; pasandu de mã en mã cun muta frecuencia. Asina que estis templarius que ocupaban Trevelhu estaban selhandu a zona pa evital incursiõs nu reinu de Purtugal, ia que cus purtuguesis vinhan colaborandu, comu apuntí antis, de cuarenta anus pa tras.
Terceiru: Temus que tel en conta tamén que ficía cuarenta anus que u condau de Purtugal había cunsiguíu independizarsi de León. Nun contaba cun rencilhas ni fricciõs internas i pur u tantu toa a sua energía se empreaba na formaciõ de un territoriu autónomu novu a disposiciõ da Igresia, tarea na que se contaba cua forza dus templarius, cus que se diba ampliandu as suas fronteiras tantu au Sul comu au Esti; siguindu as indicaciõs de D. Afonso Henriques.
Cuartu: Fernandu II, vendu cus dois reinus  -u castelhanu i leonés- se encontraban tranquilus, pensó que era bo momentu pa siguil acaparandu terrenu i chegal a Transerra. Seguru que cuandu tomó a iniciativa, tamén sonhaba cun vorvel a vel nu sei reinu as posesiõs du que antis había siu u condau purtucalensi. Foi pur isu que fizu boas migas cu rei purtugués i pidiu a mã da sua filha Urraca de Borgonha.
Nesti puntu i casau cua purtuguesa, se dirigi a Ciai - Ciudad Rodrigo - desdi alí parti a Transierra dividindu as forzas antis de chegal a Gata; dispunhendu que a ala dereita das suas mesnás bajara pur as elevaciõs das Elhas pa consquistal esta praza i as fortificaciõs da raia cun Purtugal.
Dicin us historiadoris que nesta incursiõ destacaran, pur a sua veteranía, as milicías du Templi. É lógicu que asina fora, porque us homis que as formaban cunhocerían ben u terrenu. A sabel si nun foran resultau da ajuda que le pudera habel prestau a Fernandu II sei sogru pur u recén creau parentescu primeiru i segundu cunu fin de que u yenru "nun se pasara da raia." Opiniõ personal minha de dobli sentíu.
Recordemus tamén que pur a sua colaboraciõ, en senhal de agradecimentu pur us servicius prestaus, u rei leonés entrega aus templarius as fortificaciõs de Trevelhu, Bernardu i Benaventi pero nun se di na de Salvaleõ. É curiosu, peru pa mí que us templarius  tinhan Salvaleõ i pur isu se silencia nu repartu.
Si estaban lá habrían entrau pur Purtugal au serviciu de D. Afonso Henriques, sogru de Fernandu II de León.
Pa nun cansarvus, pur hoxi está ben. Prontu vus seguiré ampliandu esti trabalhu cunu que vus fairé partícipis de un descubrimentu, pur estal olvidau da memoria colectiva de Valverdi.