18 nov. 2015

Comendador Ordinário.

Os valverdeiros e as valverdeiras hemos oiviu falar que os moços que trabalhavam na finca da Granja, se livravam de cumplir a mili porque o Estau, ao sei proprietário le havia otorgau certos privilégios por haver reconvertiu terrenos incultos em produtivos.

Assina o sabemos por boca dos seis descendentes, como Inmaculada Frade, quem me facilita  cópia do nombramento que o Rei dom Alfonso XII fai a favor da pessoa de D. Ambrosio Frade Suazo, no ano 1883.

No título reza o que segue:

DON ALFONSO XII REY CONSTITUCIONAL DE ESPAÑA.


Título de Comendador Ordinário em favor
de D. Ambrosio Frade Suazo.
Por cuanto queriendo dar una prueba de Mi Real aprecio á vos Don Ambrosio Frade Suazo; hé tenido á bien nombraros por Mi Decreto de veintitrés de Enero último, Comendador Ordinario de la Real Orden de Isabel la Católica, libre de gastos con arreglo á la ley de presupuestos de mil ochocientos cincuenta y nueve.

Por tanto os concedo los honores distinciones y uso de las insignias que os corresponden al tenor de los Estatutos confiando por las cualidades que os distinguen en que os esmerais en contribuir al mayor lustre de la Orden. Y de este título refrendado por el Secretario de la Orden y firmado por el Gran Canciller se tomará nota en la Contaduría de la misma.
Dado en Palacio á diez de Mayo de mil ochocientos ochenta y tres.


Yo el Rey

Yo, Don Mariano del Prado, Marqués de Acapulco Ministro Secretario de esta Real Orden, lo hice escribir por su Mandado

Baixo as firmas termina o documento como segue:

Título de Comendador Ordinario de la Orden Española de Isabel la Católica á favor de Don Ambrosio Frade Suazo.

Citando o livro de D. Domingo Domené HISTORIA DE SIERRA DE GATA (Cáceres), editau no ano 2008; na folha 210 fala de Una granja modelo dizendo que mutas das propiedais que foram desamortizás queiram nas mãs de especuladores ou de absentitas, provocando o abandono dos terrenos que foram mal explotaus, mas nõ todos os novos proprietários foram iguais. Alguns, certamente exemplares como o vizinho de Sã Martim de Trebelho, D. Ambrosio Frade Suazo, com certos terrenos procedentes da Ordem de Alcántara e outras que comprou a particulares se propõ crear ũa explotaciõ modelo.

Segando na Granja. Retrato facilitau por Miguel López Prieto.
Continua dizendo que no sitio da Granja, no término de Valverde, num terreno inculto fizo grandes
plantaciõs de vides e de oliveiras, levando a cabo igualmente a regeneraciõ dos pastizais.

Em reconhecimento do seu labor, o governo le concedeu privilegios pouco usuais naquela época:

- Eximir do serviço militar aos filhos do senhor Frade e aos filhos dos colonos nascius na explotaciõ.

- Eximir do pago da contribuciõ durante vinte anos.

- A concessiõ do título.

Ao mei parecer, o título de Comendador Ordinario de la Orden de Isabel la Católica, foi proposto por o Ministro de Fomento ao Consejo de Ministros, onde se aceitaria a proposta, sendo referendada por o Rei dom Alfonso XII mediante Real Decreto de 23 de jeneiro de 1883, publicau na Gaceta de Madrid desse mesmo dia.

Foi o Rei dom Fernando VII, mediante Real Decreto de 24 de março de 1815, quem creou a Real y Americana Orden de Isabel la Católica, para premiar la lealtad acrisolada y los méritos contraídos en favor de la prosperidad de aquellos territorios.

A 26 de maio de 1816 o Papa Pío VII promulgava a bula Viros magnos in regno com a qual aprovava e confirmava esta nova Ordem, concedendo aos seis Cavaleiros e Ministros as mesmas indulgências e gracias espirituais que aos da Ordem de Carlos III.

Em 1847 se reformam as Órdens Reais, perdendo esta o nome de Americana. Posteriormente, no ano 1851, mediante Real Decreto, se determinam de forma definitiva o sistema de concesiõ e os graus. No ano 1873 foi suprimida por Decreto do Governo Republicano, e dois anos depois volveu a ser instaurada com a subida ao trono do Rei Alfonso XII.

Insígnia de Encomenda com a Cruz da Ordem
By Heralder [CC BY-SA 3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0) or GFDL (http://www.gnu.org/copyleft/fdl.html)], via Wikimedia Commons
A Ordem por aqueles tempos contava com trés classes de membros: Grandes Cruzes, Comendadores e Cavaleiros. Tos elis tinham que portar a Cruz da Ordem. Cada classe as portava de maneira diferente. A Cruz levava inerente a nobleza pessoal em favor de quem a gozar.

Na actualidai a Ordem se rege por o regulamento aprobau mediante Real Decreto 2395/1998, de 6 de novembre.


20 oct. 2015

A conta da recém editá novela de Javier Quiñones "El hijo del guarda."

O próximo sábado, dia 24 de outubre, na Área Cultural "Val verde", sita na avenida doctor don Casto Prieto Carrasco 12, de Valverde do Fresno, a isso da media para as oito da tarde, se presenta o livro de Javier Quiñones El hijo del guarda. 

Promove o acto Muñoz Moya Editores em colaboraciõ com o Excmo. Ajuntamento de Valverde do Fresno.

Presidirá a mesa a Sra. Alcaldesa do Ajuntamento de Valverde, Dª. Cristina Carrasco Obregón; na que participarã don Juan Ignacio Jiménez Velasco de Muñoz Moya Editores, don Fernando Ayala Vicente, escritor, Doctor en Filosofía y Letras e diputau na Asamblea de Extremadura por o grupo parlamentario PSOE-SIEX; o investigador local D. Antonio Manuel Corredera Plaza e o propio autor da obra D. Javier Quiñones.

Javier Quiñones, naceu em Burgos em 1954, agora reside em Barcelona onde desarrolha a sua lavor de professor de secundária.

Se deu a conhocel no mundo das letras com a sua obra De libertad tendidas mis banderas, editá em 1993, com a que ganhou o Premio Internacional de Contos Max Aub. No ano 1997 le concederam o Premio Ciudai de Barbastro por a sua novela Años triunfales. Prisión y muerte de Julián Besteiro. Da que di Camilo José Cela no prólogo da ediciõ que "deja un regusto amargo de una época sombría de nuestra historia más violenta, pero su autor contribuye a la paz de los espíritus con el equilibrado manejo de la verdad."

Poderia seguil relacionando títulos da sua prolífica e bem acolhia obra, pero prefiro que seais vós os que vos tomeis o vosso tempo para que descubrais a sua fina sensibilidai e vos convido a que  empeceis por o final, visitando as entrás do sei blog literario "De ahora en adelante. Páginas de literatura y vida."

E agora vos vou a contal algo da gestaciõ do livro El hijo del guarda.

Javier Quiñones. Autorretrato.
Javier é neto dum guarda forestal que no primeiro quarto da centúria passá vinho de Gata a trabalhal a Valverde, onde se ganhou o carinho de muta gente. Tinha várias filhas e dois filhos. O maior  era o padre do nosso amigo Javier Quiñones, autor do livro.

A Javier le mortificava o pouco que sabia do passau de sei padre, por o que com o fim de sel da Cárcel Real de Cória quando tinha 17 anos; inicia um trabalho de investigaciõ que culmina com a ediciõ desta obra, publicá por Muñoz Moya Editores.
angústia que le causava tanta oscuridai; na mais morrel este e partindo das parcas palavras que haviam seido da sua boca, nas que dizia que havia siu encarcelau na

Nos inícios das primeiras indagaciõs perguntando as suas tias, se vai dando conta de que desconhoce casi ao completo o passau de sei padre, comandante do ejercito do Aire. O mesmo que com 17 anos havia colaborau a favor do Frente Popular nas elecciõs de fevereiro de 1936 e que de seguiu fundaria a Juventud Socialista en Valverde.

Que alegria senti quando revisando as cópias digitais que guardo na minha casa, dos documentos consultaus, apareceu ante os meis olhos, no monitor da minha computadora, a carta que o aguelo de Javier escrivia com membrete da guarderia do Distrito Forestal de Cáceres ao senhor D. Francisco Largo Caballero desde Valverde, o dia 20 de fevereiro de 1936, que encetava como ¡Honorable camarada! Escrita com elegante caligrafia; ou aquela outra de dois meses mais tarde na que denunciava o atentau contra a vida do sei filho que nõ chegó a término, como di na carta: "...gracias al arrojo y serenidad del chico..."

O envio destes primeiros documentos, com independência do peso que puderam dal ao curso da investigaciõ e à culminaciõ final da obra que vos recomendo ler, sirviram para inicial esta amistai que agora gozamos.

Finalmente, como o dia da presentaciõ do livro haverá na mesa pessoas com julgamentos de valor e melhor preparaciõ que este que vos fala em calidai de amigo do autor; vos emprazo primeiro a que nos acompanheis esse dia e, em segundo lugar, vos recomendo que vos faias com um exemplar porque Javier trata com tal delicadeza e bõ gusto os feitos que narra na sua elegia, que penso que será da satisfaciõ de quantos a leiais à vez que vos iluminará sobre certos acontecimentos que se deram no nosso lugar durante a Guerra Civil.

Recordei o que escriviu Camilo José Cela no prólogo da obra de Javier Quiñones Años triunfales. Prisión y muerte de Julián Besteiro: "...su autor contribuye a la paz de los espíritus con el equilibrado manejo de la verdad." Na minha opiniõ esse pensamento vale igual para El hijo del guarda.

Vos esperamos.

4 ago. 2015

Exposiciõ de iconos ortodoxos, retábulo e capelas.


Frol sexpétala no pavimento da ermita do Santo Cristo.
No interiol da antiga ermita do Cristo del Humilladero, hoje conhocia como ermita do Santo Cristo; no causo de visitá-la entre os dias 6 ao 12 deste mes de agosto que acabamos de encetal, poderemos disfrutal, ademais da preciosa abóbada granítica de arcos cruzaus, sem decoraciõ, com nove claves; do retablo barroco de madeira dorá, do século XVIII; da imaginária entre a que destaca o Cristo crucificau, soberbia talha de escultol desconhociu do século XVI e o pavimento feito por pequenas pedras de cantos rodaus, formando encatadoras figuras; tamém poderemos contemplal, aos auspicios da Cofradía de la Vera Cruz da nossa localidai, ũa interessante a par que atrativa exposiciõ de iconos ortodoxos do Taller de Iconos ortodoxos de la ciudad de Coria e as pequenas capelas e retábulo com as suas propias talhas, do nosso paisano Valentín Sánchez Pereira.

Entrevistamos em primel lugal a José Berrío Carrasco, maiordomo da Cofradía de la Vera Cruz, de Valverde do Fresno, quem nos diz que a cofradia pretende, com a realizaciõ deste evento, dal a conhocel de cerca a labol que desarrolham estes talheres, como o de Coria, em pro da cultura e sacal a luz por primeira vez os trabalhos da autoria do ebanista jubilau Valentín Sánchez Pereira.

Aprovita igualmente a oportunidai que le brinda a ocasiõ para resaltal os fins da cofradia, que em resumen son: O fomento do culto público e atrael aos fieis à oraciõ, a cujo efeto abrem a ermita do Santo Cristo tos os xoves do ano. A prática da caridai para com os nossos vizinhos mais necessitaus, assina como a colaboraciõ com a paróquia e o cuidau e conservaciõ dos ornamentos e imaginária da propia ermita.

Iconos ortodoxos do talhel de iconos da ciudai de Coria.
Seguidamente, conversamos com Carmen Serrano, professora de plástica do Instituto de Educaciõ Secundaria Alagón de Coria que nos faló no nome do Taller de Iconos ortodoxos de la ciudad de Coria, que depende da paróquia de Sã Ignacio. Nos comenta que este talhel encetó a sua andadura em fevereiro do ano 2008, com o assessoramento do talhel de iconos de Cáçeres e do Centro de Espiritualidai de Valhadolid. Comenzaram a trabalhal os iconos na propia paróquia, pero o local se quedó pequeno, circunstância que prejudicava a conservaciõ dos iconos por o que com a posta em funcionamento da Casa da Igrexa de Coria se trasladaram a esta nova ubicaciõ, na que se encontram a disposiciõ de quem queira dil a visitá-los tos os mércores, de cinco a sete da tarde, nõ sendo período de vacaciõs. Mas como é agora o causo da exposiciõ em Valverde, fazem exposiciõs itinerantes; a primeira no colegio das monjas de clausura de la Madre de Dios, em Coria; depois outra com motivo da chegá da Cruz a aquela ciudai o quando se realizou na mesma o congresso de iconos; por outro lau, estuveram fai poico em Calzadilha e em Vegaviana, pero tamém cedem temporalmente iconos para eventos, quando se les solicite.

Referente a exposiciõ que podemos disfrutal durante os dias 6 ao 12 de agosto na ermita do Santo Cristo; nos comenta que os iconos representam trés temas fundamentais que sõ: a vida de Cristo, a vida da Virgem e a vida dos Santos. Se chamam iconos ortodoxos porque desde a edai media aos nossos dias nõ evolucionou a iconografia e como apreciamos nas pranchas toas as representaciõs sõ frontais, de tal maneira que desde qualquer parte que nós situemos para vel um icono, a imagem que representa sempres nos estará mirando. Os iconos principais representam a figura de Cristo (pantocrátor), pero para compreendel bem o que temos dientre, temos que sabel que os iconos nõ som pinturas como tal, mas por contra sõ escrituras que nos falam atraves do colol, dos olhos, das vestimentas, das mãs; por isso o talhel coloca folhetos explicativos entre os iconos, para a milhol comprensiõ dos temas que representam.
Retábulo com talhas de Valentín Sánchez.

Carmen nos informa igualmente que as pessoas que componem o talhel nõ pintam, o que fazem é tratal láminas, lixando a madeira, depois a envelhecem e pegam a lámina, a prensam e finalmente a tratam com latex para plastificá-la ou volvem a envelhecé-la, le aplicam pã de oiro, o estanho. Desde fai poico comenzaram tamém a pintal, pero neste causo se trata de iconos coptos. Coptos sõ os egipcios que profesam a fé cristiana. Os seis iconos se diferenciam em que sõ mais primitivos e utilizam tablas e pigmentos à água, mentras que os ortodoxos usam pigmentos a base de cola de água e pigmentos naturais. Nesta exposiciõ nõ trairam iconos coptos.

Pequena capela de Valentín Sánchez.
Finalmente, a representante do talhel de iconos de Coria manifestou que desde fai dois anos em que a diocese de Coria-Cáceres promoveu a realizaciõ urgente de obras de consolidaciõ da catedral de Coria para que nõ se caia, eles sintindo que este edificio pertence a toa a diocese no sei conjunto, destinam à catedral os importes que recaudam da venda dos iconos. A dia de hoje já donaram 800 euros e recorda que os iconos que se exponhem na ermita de Valverde se podem adquiril com destino a sua recaudaciõ aos fins anteditos. 

Por último, entrevistamos ao valverdeiroValentín Sánchez Pereira o que a finais do próximo mes cumplirá 85 anos de edai, quem nos conta que tendo 12 anos, quando corriam aqueles anos da fome, os sacaram da escola e os puseram a trabalhal a madeira; os primeiros 20 anos a mã e depois compraram maquinaria e sem que naide les ensinara cómo funcionavam; eles por sua conta comenzaram a utilizá-las. 

Animau por José, o maiordomo da Cofradia da Vera Cruz, saca por a primeira vez do sei talhel estas capilhas o capelas e o retábulo com as suas talhas que foi elaborando poico a poico desde que se jubilou. Nõ representam nenhum patrõ porque foram produto da sua imaginaciõ seidas da sua cabeza. Toas as pezas que expõ estã feitas a mã, utilizando o formõ.

Os representantes da Cofradia, do talhel de Coria e Valentín.

14 jul. 2015

Critérios para oriental a ortografia da língua do Val de Xálima.

critérios para oriental a ortografia da língua do val de xálima
        Inda hoje falamos valverdeiro, lagarteiro ou manhego. As tres variedais de A Fala, a língua do Val de Xálima que se conhoce popularmente com o nome que le dó a nossa comunidai autónoma, quando no ano 2001 le concedeu o rango de bem de interés cultural.

Tamém hoje escrivimos, mais que nunca antes, em notas, avisos, bandos municipais, rotulaciõ de calhes, carteis publicitários, comunicaciõs electrónicas, relatos, revistas, livros. Sintoma que mos indica a atenciõ e o carinho que temos às nossas falas locais, demostrando a grã vitalidai destas tres falas.

Mas é hora de dizel alto é claro que, inda agora apesar de escrivil e publicar-se tanto, nõ estamos escrivindo em A Fala.

Até o nosso embaixadol por excelência das nossas falas, que com o devido ou deviu respeto menciono, D. Domingo Frade Gaspar; na Igrexia Parroquial de Sã Martim de Trebelho, reconhoceu, mentras presentava o livro da sua autoria: NOVU TESTAMENTU EN FALA, que estava escrito em manhego.

Sendo consciente de que estamos escrivindo como falamos, pero tamém de que o que falamos sõ realizaciõs locais da mesma madre que nõ escrivimos; levo tempo trabalhando -com o auxílio principalmente do mei amigo é professor Eduardo Sanhes Maragoto, e o apoio de pessoas que me levã a dientreira neste caminho, como José Luis Martín Galindo- na proposta que recentemente presentei, para sua toma em consideraciõ a Associaciõ Cultural A Nosa Fala. Proposta que já hoje conta com o aval de filólogos romanistas de reconhocia autoridai, tanto na península como no estrangeiro.

O famoso, por tantas vezes mencionau, decreto 45/2001, de 20 de março, por o que se declara Bem de Interés Cultural a "A Fala" entre outras coisas di que: La lengua pertenece a los hablantes, «A Fala» pertenece a los habitantes de estas tres localidades y han de ser ellos los que digan cómo desean practicarla, en qué medida y con qué limitaciones. 

Por isso, com o fim de que os falantes tenhamos ferramentas para enzetal a escrivil tamém na língua do Val de Xálima, xalimego, valego, chapurrao, cachipurrao o como queramos chamá-la; vos ponhemos, a vossa disposiciõ, a nossa proposta que chamamos: CRITÉRIOS PARA ORIENTAL A ORTOGRAFIA DA LÍNGUA DO VAL DE XÁLIMA. 

Que Sã Cristobal mos guie por este novo caminho.

Descarga aquí: CRITÉRIOS...

30 jun. 2015

Poesías y desacato, dibujando un retrato.

Hoje tenho a fortuna de dar-vos a conhecer o nascimento de um poeta valverdeiro ou valverdenho,
tanto me dá que me dá o mesmo.

Se chama Raúl, nasceu no ano 1997. Acabó estes dias atrás o primeiro curso de bacharelato de Artes Escénicas. Apenas um suspiro de vida, pero nesta curta andadura já poe sentir a estima propia de haver dau a luz o sei primer poemário, do que destaco a profundidai do pensamento que brota dos seis versos. Parece mentira que apesar desta brevedai haja acaparau tal grau de desenvolvimento.

Boas tardes, Raúl ¿nos poderias dizer desde quando escreves poesia?

Realmente nõ poderia dizer onde enceta o punto zero. Desde que sou consciente, sempres senti o impulso de escrever o mesmo relatos em prosa que em poesia. Ao princípio vã surgindo sem um tono definiu pero poico a poico vas afinando hasta que chega o memento no que pensas que o que escreves pode dar-se a conhecel.

¿Quais sõ os centros de interés que te movem a escrever?

Fundamentalmente, como sou inda um adolescente, me movem os sentimentos. Bem é verdai que os temas como a globalizaciõ, as desigualdais sociais, a pobreza, a riqueza, as guerras tamém me motivam, pero sobre o que mais escrevo é sobre os meis sentimentos.

Quando escreves, ¿escreves para ti o por o contrario o fais pensando en dá-lo a conhecer?

Sim, claro. Ei escrevo para mim primeiro, pero seria mui egoista guardar-mo para mi, porque ei sé que essas palavras o frases podem tel outra trascendência para outras pessoas e consideiro que tenho que compartilo.

Quando compartes ¿te gusta que sembre algo nos que te puderam ler?

Por suposto, me gustaria que tras a leitura a gente sacara conclusiõs o se les abrira a consciência naqueles causos nos que o poema toca um tema social.

¿Tinhas publicau algo antes de edital Poesías y desacato, dibujando un retrato?

Adisgata o ano passau publicó "Relatus cortus en fala." Nessa publicaciõ recolherã um relato mei que me contó mei aguelo.

¿Por que o título Poesías y desacato, dibujando un retrato?

O desacato a nivel emocional o sentimental por um lau, pero tamem como postura frente as injusticias da vida. Em quanto a dibujando um retrato, é um retrato genérico. Nõ pretende ser o mei retrato, por o contrario pretendo que se sinta retratau no livro quem me lea.

¿Nos poes explicar a portada?

Nõ quis ponher a cara completa com o fim de que a gente nõ associe o retrato a minha pessoa. O gesto da risa frente a um coraçõ ardendo representa o gosto que sinto queimando a "ñoñería" que existe na sociedai, pero tamem o enfrentamento de sentimentos que fervem no mei interior, por motivos de encontrar-me num estau de desequilíbrio emocional.

¿Sentes predileciõ por algum autor em especial que poda ser o tei guia?

Me gosta a obra de Miguel de Unamuno "San Manuel bueno martir" porque trata de um cura que perde a fé e este feito me choca. Me gostã muto os símbolos de Antonio Machado, da generaciõ do 27 García Lorca, algo de "marinero en tierra" de Rafael Alberti. Da generaciõ do 50 que me gusta e me he aficionau muto, Jaime Gil de Biezma e os livros que acabo de compral de Ángel González.
Pero a música tamem me inspira, o rock and roll, a música punk, certos géneros musicais se vem reflejaus nas minhas poesias porque no fundo a música tamém é poesia.

¿Onde se poe adquirir o tei livro?

A través do portal de amazon.

Neste ponto termina a entrevista na que queiro anhadir que Rául acaba o sei primer livro de poesias com varios poemas en valverdeiro porque foi com o lagarteiro as duas primeiras falas que escutó cuando vinho a este mundo; e vos deleito com estes versos entresacaus do sei poema em valverdeiro:

Vida.
.../...

¡Cuántu tempu sin relós!,
¡cuántu minutu traidor!,
matí a u tempu que me agobiaba
i u enterrí pa que durmira millor.

Que pena a de sel vellu,
pero mais a de sel criu,
porque sabis que te quedan días,
y aunque non u pensaras,
igual morrerías.

.../...

26 may. 2015

A nossa língua e as nossas falas.

Dedicau a mei defunto padre Segundo Corredera, que me ensinou a querel a nossa fala valverdeira e aos meis maestros, especialmente a J. Luis Martín Galindo e Eduardo S. Maragoto.

     Sendo um zagal pensava que tínhamos que escrivil vestindo as nossas falas lagarteira, manhega e valverdeira com o traje castelhano porque dessa maneira nos ensinaram nas escolas a represental os nossos sentimentos, e porque o que nós falamos sõ trés variedais de ũa língua que se fala em território espanhol.

Nessa deriva naveguei durante muto tempo, convenciu por estas razõs que qualquer outra forma de traçar os nossos pensamentos sobre o papel apartava as nossas falas da sua essência.  

Os anos procuram-nos experiência e sossego para medital com mais atenciõ sobre aquelas questiõs que sõ importantes para nós.

Se entonces alguém me havera dito: Tonho, o que vós falais representa-se melhor na escritura se vos acercais à maneira na que o fazem os vossos vizinhos portugueses. Havera contestau:  vai-te p'aí e nõ me andes esquentando a cabeça!

Agora penso que estava equivocau, e defendo que temos mutas palavras que nõ podemos vestil com o traje castelhano, porque este nõ representa de maneira diferente palavras que soam pareciu pero que identificam coisas distintas nas nossas falas, como: presa, pressa, asa, assa, queijo, queixo...

As valverdeiras e valverdeiros hemos perdiu a conciência destas diferências quando falamos, pero isso nõ é pretexto para ter que deixar de representá-las. Por outro lau, nõ fai falta que manhegos, lagarteiros e valverdeiros quebremos as nossas cabeças inventando formas de represental as palavras que tinham a sua grafia antes de que nós pensáramos que o que falamos poderíamos tamém escrivi-lo. 

Considero ademais que ũa língua é prenda que tem que elaborar-se de um pano, evitando peças de telas distintas porque isso enche o padrõ de tantas dispensas que cada um escriviria como le parecera sendo difícil de ensinal a quem quisera aprendé-la.

Haverá quem pense quando me vai lendo que montal um traje para A Fala levará à desapariciõ das falas locais. Pensal desta maneira é o mesmo que dizel que os de New York perderã a sua forma de falal distinta à londinense porque escrivem o inglés. Que os brasileiros, angolanos e resto de falantes lusos perderã as suas formas locais de falal por utilizal o portugués. Que os distintos falantes do espanhol perderã as suas formas de falá-lo por tel que aprendel o espanhol.

escrivindo em xalimego
Fotografia de Fernando Montes Macías.
Para entendel o que digo neste trabalho temos que sel conscientes de que em cada lugal se fala de maneira distinta ũa mesma língua. As pessoas falantes lagarteiras, manhegas ou valverdeiras temos, como os neoyorkinos em relaciõ ao inglés, os angolanos com o portugués e os andaluzes em relaciõ ao castelhano; a nossa forma local de expressal aquilo que vemos escrito da mesma maneira. Inda nõ vi no dicionário espanhol forma distinta de escrivil cada palavra desta expresiõ andaluza: ¡Ozú mi arma qué caló gace! que nõ fora assina: !Jesús mi alma qué calor hace!  E repito que nõ conhoço outra forma de escrivi-la porque as distintas formas de falal em Andaluzia, sõ formas de falal o espanhol. Essa frase correta na folha pode havel siu escrita por um andaluz, um cacerenho, murciano, madrilenho, valhisoletano, albacetense, avulense, alavés, oscense...; pero escrita nõ me di de onde é a pessoa que a escriviu-a. Coisa distinta é quando a escutamos dizel de viva voz a cada um deles. 

Mutos espanhóis e espanholas dizemos - falando à nossa maneira o castelhano: deo, Madrí, dao, cuñao, capá, pa, Badajó, ciudá... pero quem sabe ler e escrivil, quando tem que plasmal estas palavras sobre o papel as reproduze completas, sem questional porque tem que grafá-las de forma distinta a como as pronuncia, e assina escrive: dedo, Madrid, dado, cuñado, capaz, para, Badajoz, ciudad... sem parecer-le estranho a naide.

Quando falamos em valverdeiro, lagarteiro ou manhego, estamos declamando na nossa maneira do lugal ũa mesma língua, que é única. Pero ademais, essa língua contempla todas as palavras, giros, expresiõs... que estã nos trés lugares, como aquelas outras que se conservã em um dos trés e que os outros já perderam.  

Agora tenho que dizel que a minha proposta para escrivil a língua é compartia por pessoas que investigam as nossas falas e que sigo postulaus que nõ sõ novos, porque de forma similar já deixaram a sua visiõ em trabalhos editaus, tendo em conta à hora de exponhé-la a opiniõ quase unánime de que A Fala provem da língua romance galaico-portuguesa, na que tamém se contemplã outras influencias que comparte com mais falas meridionais espanholas.  

Desde este ponto de vista, opino que nõ devemos modifical grafias que já existem e que gozam do mesmo significau que les damos nas nossas falas. Palavras como: anduriña, borrallo, castañeiro, enciño, engadañar, espiñeiro... tenem poico sentiu escritas desta maneira porque em Espanha soarã estranhas e nos sítios onde as dizem igual que nós, pensarã que nõ sabemos escrivi-las. Em castelhano, a anduriña se chama golondrina ou andurina, mentras que nos sítios que a pronunciam igual que nós escrivem: andurinha; se tomamos o borrallo, na língua oficial do Estau espanhol é borrajo, e nos sítios que a conhocem como nós, escrivem: borralho; e desta mesma maneira vos poderia dil contando do resto das palavras relacionás.

A diferência entre a língua e as falas está em que a primeira é ũa forma comum que as pessoas consideramos correta. É o que se chama normativa que tem a misiõ principal de facilital a comunicaciõ e a aprendizage, pero se consigue renunciando às formas locais em benefício das formas comuns.

Mentras sigamos pensando que as trés formas de falal se escrivem de maneira distinta, seguiremos tendo isso, tres falas ou chapurraus, pero nõ chegaremos mais longe. A língua, que a maioria da gente chama A FALA, é outra coisa porque a sua funciõ é a de sumal criando ũa unidai que poda sel ensiná em qualquer sítio, possibilitando que pessoas de fora dos nossos lugares contem com ũa ferramenta fácil de aprendel e útil. Mais adientre, quando estas pessoas de fora ou aqueles que sendo de cá a pratiquem oralmente, segum com quem mais se comuniquem, darã ao sei verbo um sabor mais lagarteiro, manhego ou valverdeiro.

Se chegaste a ler asta aqui, agradeço o tei interesse e assumo que a tua postura pode sel totalmente contrária à que ei acabo de dar-vos a conhocel; assumo tamém que haverá quem nõ entenda o que escrivi, agradecendo igualmente a quem me o di de frente, aportando as suas razõs, porque me ajuda a seguil crecendo.

Isto é o que penso trás muto estúdio, meditaciõs, investigaciõs..., dando voltas à cabeça sobre o tema; seguro que tem mutas faltas e que poderei estal equivocau; por isso este artículo o saco à luz sem outra pretensiõ que a de aportal o mei ponto de vista pero com o mesmo amor e carinho que  o que professam os que trabalham por a preservaciõ das nossas falas e a nossa língua, inda que levem caminhos distintos.

Vos mando nesta folha mutas grácias com abraços xalimegos e os meis deseus de que procureis sel felizes.

11 abr. 2015

A espera.

                                Sinto o embate de um mar interior.
                                A preamar rompe as suas crestas,
                                em rítmicas batias sobre o mei coraçõ.

                               O aire penetra depressa,
                               por entre os buracos do mei acantilau nasal,
                               frenando o empurriar da maré alta.

                               Por momentos,
                               recolhe-se para o ventre,
                               experimentando um ilimitau vazio nas costelas.

24 feb. 2015

Exibiciõ de jotas a cargo do grupo u fresnu com a colaboraciõ da associaciõ pulsu y pua de Valverde.

        O passau 1 de fevereiro, com motivo da celebraciõ das tradicionais festas em honor a Sã Bras, o grupo e a associaciõ valverdeiros u fresnu e pulsu y pua, nos deleitaram no salõ de actos da área cultural val verde, com um repertorio  folclórico de bailes e canciõs que aprenderam dos nossos maiores, mutos dos cuais ia nõ estam entre nós.
grupo u fresnu.Foto de Senén García
Grupos: Pulsu i pua e U fresnu. Foto de Senén García.

Nos toca vivil nũa época que chamam da globalizaçiõ, caracterizá em que to é igual em tos os lugares em to momento, pero isto trai um problema grave cuando nõ somos conscientes de que levamos com nós ũa carga cultural e ũas tradiciõs que nos fazem singulares e diferentes a oitros lugares o regiõs que levam o levavam as suas propias notas diferenciadoras, se bem agora, por isso de estal tos intercomunicaus as 24 horas do dia, nos fai menos distintos.

O problema é que vamos perdendo parte do nosso património cultural de manieria que os que venham ao mundo nestes rincõs, no próximo século, é fácil que desconhezam que era um panhizuelo de 100 colores, as saias de picao, a fraldiqueira, o mandil bordau, as canciõs de a chana e manojo le escribe cartas a su hermana la pequeña, as canciõs de picadilho, as jotas os redobles, etc...

Com a exibiciõ, u fresnu assina como pulsu y pua, volvem a recordal que nõ vivimos para sempres e por o tanto toa esta riqueza que inda disfrutamos a través delas e deles e que a nos pertenece, se dirá perdendo se nõ hai quem quiera agarral o testigo. É por isso que vos pedem aos zagais e zagalas novos e novas que vos animeis a participal, para seguil aprendendo e conservando esta riqueza e assina podel transmití-la a quem venha detrás de nós, que seguro que saberá apreciá-lo e agradezé-lo.

Solo necessitais um poico de interés para ocupal bem um poico do vosso tempo livre junto a um grupo de pessoas que disfrutam aprendendo, bailando e dando a conhecel este precioso património em celebraciõs o festividais, bem no nosso lugal como em oitros sitios.

Alí ondi sõ invitaus a participal sempres sõ bem recibius e ademais, a colaboraciõ com estas associaciõs facilita a possibilidai de comunical-se com oitras pessoas, sentil-se arropau e aprendel de oitros grupos com as mesmas aficiõs inda que levem folclore distinto.

Vos animo em nome do grupo de jotas U FRESNU e da associaciõ PULSU y PUA a que vos aponteis para aprendel, bailal e ensinal o dia de aminhã aos que venham detrás de vos, para que sigamos conservando aquilo que nos distingue de forma tam coloria, armónica e preciosa.

Para terminal vos mostro um vídeo feito com os retratos da exibiciõ, que foi editau com as suas propias tomas por o nosso paisano e bo amigo Senén García Carrizo.


Espero que vos goste.

Festas de Sã Bras, 2015. from valverdeiru on Vimeo.

Nota: Este trabalho está escrito na minha proposta de FALA, a lingua dos tres lugares de as Elhas, Sã Martim de Trevelho e Valverde, que ei gosto em chamal XALIMEGO; porque falas sõ trés: lagarteiro, manhego e valverdeiro.